Artesã cria por acaso aplique de cabelo exclusivo com fibra de bananeira do quintal de casa
29/11/2025
(Foto: Reprodução) Artesã cria por acaso aplique com fibra de bananeira no quintal de casa
Foi por acaso, no quintal de casa em Campo Grande, que nasceu o negócio da cabeleireira e artesã Marilza Eleoterio de Barcelos Silva. Uma faca sem fio, um tronco de bananeira e uma ideia formaram o combo perfeito para criar um produto único. Com as fibras do caule da planta, ela produz apliques de cabelo biodegradáveis, oferecendo uma alternativa sustentável e mais baratas aos fios sintéticos. Veja o vídeo acima.
O g1 foi à casa de Marilza conhecer o negócio e a produção dos apliques sustentáveis. Todo o processo, da extração da fibra à coloração, ocorre na casa da cabeleireira e artesã, na Comunidade Lagoa Parque.
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O negócio de Marilza atende uma demanda específica que cresce cada vez mais no Brasil, o setor de beleza. Depois de vários testes, colorações e perrengues, a empreendedora conseguiu patentear o produto neste ano.
Patenteei até para garantir. Uma mulher viu e me falou que já tinham registrado antes. Mas, esta pessoa que ela se referia era eu mesma, comentou a empreendedora.
Por ser um produto artesanal, o aplique feito com fibra de bananeira pode ser vendido normalmente no Brasil. Ele é comercializado como artesanato e se enquadra na categoria de fio para tranças, que não precisa de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para circulação no país.
Para vender no exterior, porém, a regra é diferente. A exportação exige uma autorização específica da Anvisa. Por isso, a empreendedora já deu entrada no pedido para liberar a venda internacional dos apliques.
Transformando a falta de opções em incentivo
Empresária de MS transformou fibra de bananeira em cabelo biodegradável
Reprodução
Sem encontrar produtos que atendessem às suas necessidades, Marilza decidiu criar alternativas próprias para cuidar do cabelo. Ela buscava soluções práticas e acessíveis para o autocuidado.
“Eu não aceitava o meu cabelo e queria algo prático para o dia a dia. Foi quando comecei a procurar algo que se encaixasse nisso”, lembra.
O desenvolvimento do fio vegetal, feito a partir da fibra de bananeira, começou em 2018, motivado pela necessidade de criar uma peruca acessível para uma amiga diagnosticada com câncer. As primeiras plantas utilizadas foram o sisal e a taboa, que não atingiram resultados satisfatórios. Frustrada, a cabeleireira interrompeu as pesquisas. Marilza retornou aos testes em 2021, após se recuperar de um problema cardíaco, retomou os estudos.
“Para mim foi uma terapia, o que me motivou a sair da cama, porque eu tinha algo para fazer. Antes, meus familiares não me deixavam fazer nada, porque eu não posso ficar pegando muito peso, mas isso não me atrapalha.”
Ao cortar um cacho de banana, percebeu que o caule, quando raspado, liberava fibras semelhantes às usadas em cabelos sintéticos.
A partir daí, começou a testar produtos químicos para melhorar a fibra, mas não obteve bons resultados. Foi só com um ingrediente secreto, uma fruta do Cerrado, que ela conseguiu chegar ao resultado atual.
Fruta do Cerrado 'secreta'
Fibra de bananeira até o aplique de cabelo.
Débora Ricalde/g1
Todas as criações já têm patente e licença para venda, por ser um artesanato. Agora, além de atender outros estados, Marilza planeja crescer para além das fronteiras com o Brasil.
“Recebi mensagens de pessoas da Angola e da Itália, lugares que nunca imaginei”, conta.
Com a produção voltada para a economia circular, que consiste em um ciclo de produção em que o produto final pode ser reutilizado e traz menores prejuízos para a natureza, Marilza acredita que encontrou uma solução eficiente com o uso da planta.
Além de ser algo mais fácil de conseguir, é também mais fácil de descartar. Acaba sendo bom também para natureza.
Empreendedorismo impulsionado
Com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Mato Grosso do Sul (Sebrae MS), ela recebeu orientação para ampliar o negócio. O prêmio conquistado permitiu a compra de máquinas adaptadas para produzir mechas e extrair fibras vegetais.
Com ajuda do marido e do filho, Marilza produz cerca de 2 kg de fios por dia, mais que o dobro daquilo que conseguia confeccionar no início do empreendimento.
“No começo, eu tirava com a colher, cerca de 100g por dia, sem horário de almoço. Agora, com a máquina que desenvolvi, consigo 2 kg em seis horas de trabalho”, conta.
*Estagiária sob supervisão de José Câmara.