Abusos físicos, psicológicos, sexuais e morais: mulheres na região de Ribeirão Preto sofrem, em média, 13 violências por dia, aponta painel

  • 08/03/2026
(Foto: Reprodução)
Mulheres na região de Ribeirão Preto sofrem, em média, 13 violências por dia Mulheres vítimas de violência doméstica na região de Ribeirão Preto (SP) sofreram, por dia, 13 tipos de violência, em média, ao longo de 2025. Os dados são do painel federal Ligue 180 e contabilizam violações no ambiente doméstico e familiar, que englobam abusos físicos, psicológicos, sexuais, patrimoniais e morais. 🔎O Painel Ligue 180 é uma ferramenta interativa do Ministério das Mulheres que organiza e divulga dados sobre a violência contra mulheres no Brasil, além de mapear serviços de proteção. Ao todo, Ribeirão Preto, Franca (SP), Sertãozinho (SP) e Barretos (SP) somaram 5.063 violações no ano passado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Os números ainda indicam que o perigo mora sob o mesmo teto: a maioria absoluta das denúncias ocorre dentro da casa da vítima ou na residência dividida com o agressor (entenda mais abaixo). Procurada pelo g1, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade e destacou o uso pioneiro de tornozeleiras eletrônicas para monitorar agressores, além da ampliação de Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) no estado. Imagem violência contra a mulher. Divulgação/Senado Federal A matemática da violência O levantamento feito pelo g1 com base nos dados disponibilizados no Ligue 180 contabiliza as violências registradas especificamente no grupo de violência doméstica, familiar e nas relações íntimas de afeto. Em 2025, Ribeirão Preto liderou o índice regional com 3.380 registros. Na sequência, aparecem Franca, com 1.094, Sertãozinho, com 333, e Barretos, com 256 casos. Somados os registros nas quatro cidades, foram, em média, 13 ocorrências diárias na região. LEIA TAMBÉM Cabine Lilás da PM vai atender mulheres vítimas de violência na região de Ribeirão Preto Caseiro e o filho se tornam réus por matar mulher e três crianças a marretadas Mulher cita abuso de ladrão ao ter casa invadida: 'Pegou nos meus peitos, apertou' O cenário de alerta acompanha o início de 2026. Apenas em janeiro deste ano, mês com os dados mais recentes consolidados pelo painel, Ribeirão Preto já registrou 376 violações contra a mulher, um salto em comparação com as 238 no mesmo período no ano passado. O aumento de casos no começo do ano também foi sentido em Franca, que pulou de 79 para 173, e em Sertãozinho, de 7 para 39. Na contramão, Barretos teve leve queda, passando de 13 para 8 registros. Mulheres protestam contra feminicídios, no centro de Brasília Marcelo Camargo/Agência Brasil Violência ocorre dentro de casa Os dados regionais ganham peso extra neste ano, em que a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) completa duas décadas em vigor. E as estatísticas mostram que é justamente no ambiente familiar que ocorre a maior parte das agressões. Em Ribeirão Preto, das 844 denúncias gerais feitas pelo canal no ano passado, 658 aconteceram dentro de casa (na residência da vítima ou na casa dividida com o suspeito). A proporção se repete nas cidades vizinhas: em Franca, foram 193 denúncias no ambiente familiar de um total de 247. Em Barretos, 55 de 77, e em Sertãozinho, 48 de 66 (veja no gráfico abaixo). Em janeiro deste ano, a tendência também se mantém. Ribeirão teve 53 registros familiares em 70 denúncias totais, enquanto Franca somou 22 denúncias dentro de casa de 26 casos notificados. Ao g1, a advogada Gabriela Rodrigues disse que a alta no volume de denúncias não significa necessariamente que a violência aumentou de forma isolada, mas sim que a lei ajudou as mulheres a reconhecerem abusos que antes eram silenciados. A gente tem uma crise de violência psicológica que é o início do ciclo. É quando já se proíbe de usar alguma roupa, de falar com familiares, tem uma pressão para você deixar de fazer coisas que quer. Antes de chegar à delegacia, a mulher precisa se conscientizar de que aquilo é violência. Acredito que há um aumento de registros em razão dessa conscientização, da popularização da lei Segundo ela, a legislação mudou a forma como a Justiça enxerga o crime ao inverter uma lógica histórica do Código Penal. "O Código Penal e o de Processo Penal, muitas vezes, não colocam a vítima no centro da discussão. Quando um crime é julgado, primeiro se pensa na punição de quem causou o problema. A Lei Maria da Penha mudou esse paradigma e coloca a mulher no centro". A Lei Maria da Penha foi criada em 2006 após o Brasil ser condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos por omissão estatal. A partir deste marco, o foco da Justiça deixou de ser apenas a figura do agressor. Na prática, a mudança garantiu que a resposta do Estado focasse primeiro em tirar a mulher do risco imediato, antes mesmo do andamento da investigação. "Primeiro eu vou olhar para a proteção integral, o aspecto psicológico, o físico, concedendo as medidas protetivas. E depois, obviamente, como consequência, passo a pensar na punição daquele que causou o problema e no processo penal", explica a advogada. Violência contra a mulher Divulgação/CGJ-MA O gargalo da proteção Apesar dos avanços e do aumento das denúncias impulsionadas pela lei, o rompimento definitivo do ciclo de violência ainda esbarra em falhas na estrutura de apoio após a ida à delegacia. Um levantamento divulgado na terça-feira (3) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que, no estado de São Paulo, 21,7% das vítimas de feminicídio em 2024 possuíam uma Medida Protetiva de Urgência (MPU) vigente no momento em que foram assassinadas. A média paulista é superior à nacional, que ficou em 13,1%. Para Gabriela Rodrigues, a principal barreira atual é estrutural e vai além da esfera policial, envolvendo diretamente as dependências financeira e emocional que prendem a vítima ao agressor. Nós temos exemplos de uma mãe que, para sair do contexto de violência, precisa de um trabalho, mas não consegue vaga em uma creche para o filho. A leitura do juiz poderia ser a de conceder essa vaga de creche, o que faria a medida ser muito mais eficaz do que simplesmente o afastamento. ⚠️ As denúncias de violência contra a mulher e os pedidos de orientação podem ser feitos de forma gratuita e anônima pelo Ligue 180, que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, ou pelo chat no WhatsApp (61) 9610-0180. Em casos de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada imediatamente pelo 190. Violência contra mulher Arquivo Pessoal Monitoramento de agressores e outras medidas Em nota encaminhada ao g1, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o uso de tornozeleiras eletrônicas em casos de violência doméstica foi instituído em setembro de 2023 e, desde então, já foi utilizado em 712 agressores, dos quais 189 permanecem ativos. Além disso, possibilitou a condução à delegacia de 211 autores, dos quais 120 permaneceram presos por descumprimentos de medidas protetivas. "Atualmente, há 1.250 tornozeleiras disponíveis e seu uso para casos de violência doméstica garante que agressores sejam monitorados 24h por dia. Caso se ausentem da cidade ou se aproximem do endereço da potencial vítima, alertas são disparados e viaturas deslocadas imediatamente". Violência contra mulher: como pedir ajuda Segundo a pasta, o monitoramento por meio de tornozeleiras só pode ser feito mediante solicitação e autorização do Poder Judiciário na fase das audiências de custódia. Além disso, a secretaria também aposta em medidas de prevenção, proteção e resposta rápida às vítimas: Grandes operações policiais para prender agressores: apenas nos últimos três meses, foram presos mais de dois mil homens em flagrante ou por cumprimento de mandados judiciais App SP Mulher Segura: conecta mulheres em risco com a polícia 24 horas por dia. São 45,7 mil usuárias e 9,6 mil acionamentos do botão do pânico, com envio imediato de policiais via georreferenciamento. O aplicativo também cruza os dados de localização da vítima e dos agressores tornozelados para emissão de alertas Cabine Lilás: chamados via 190 feitos por mulheres vítimas de violência são atendidos por policiais femininas treinadas para prestar acolhimento especializado e orientar sobre medidas protetivas e outros serviços de proteção do estado Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e Salas DDM 24h: os atendimentos resultaram em um crescimento de 17,5% de medidas protetivas e de 12,5% em boletins de ocorrência entre os anos de 2024 e 2025 Movimento SP por Todas: criado para dar visibilidade e facilitar o acesso das mulheres à rede de proteção e acolhimento; A SSP também informou que inaugurou 20 Casas da Mulher Paulista e construiu mais 16 unidades para acolhimento das vítimas, criou auxílio-aluguel, que já apoia quatro mil mulheres vítimas de violência doméstica em 582 municípios, investiu na capacitação de mais de 135 mil profissionais de bares, restaurante e shows para ações de prevenção com o Protocolo Não se Cale. *Sob a supervisão de Flávia Santucci Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/03/08/abusos-fisicos-psicologicos-sexuais-e-morais-mulheres-na-regiao-de-ribeirao-preto-sofrem-em-media-13-violencias-por-dia-aponta-painel.ghtml


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