Ataque de formigas após acidente fez indígena tirar roupas e entrar em mata onde foi encontrado morto em Roraima, diz perícia

  • 25/03/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia Civil faz reconstituição da morte do líder indígena encontrado morto em Roraima Dor extrema, seguida de pânico e desorientação após uma queda de moto por cima de um ninho de formigas tucandeiras. Foi esse desespero que, segundo a Polícia Civil (PC), fez o líder indígena Gabriel Ferreira Rodrigues, de 28 anos, arrancar as próprias roupas e entrar na área de mata em que foi encontrado morto no dia 10 de fevereiro, em Amajari, ao Norte de Roraima. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp A conclusão pericial aponta este cenário como predominante, embora a possibilidade de homicídio ainda siga em investigação, devido a elementos ainda sem resposta, como o sumiço dos anéis que a vítima usava, segundo a PC. Os laudos foram apresentados na última sexta-feira (20) a lideranças do Conselho Indígena de Roraima (CIR) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) na última sexta-feira (20). Gabriel ficou desaparecido por nove dias e foi achado em estado avançado de decomposição, vestindo apenas cueca e meia. Acidente e ataque de formigas A reconstrução dos fatos indicou que Gabriel ingeria bebida alcoólica na comunidade Juracy e, por volta das 5h30 do dia 1º de fevereiro, pilotava a moto sem capacete pela rodovia RR-203. No quilômetro 26, ele perdeu o controle da direção e bateu de frente com um caimbezeiro, na lateral da pista. A perícia descartou o envolvimento de outro veículo, pois encontrou seiva da planta na moto e vestígios do veículo na árvore. Após o acidente, Gabriel teria caído da margem da estrada sobre um ninho de formigas tucandeiras, conhecidas por terem uma ferroada extremamente dolorosa. Isso, segundo a perícia, teria provocado dor intensa, pânico e desorientação no líder indígena. "Quando ele cai da moto [...], perde momentaneamente a consciência e cai em cima de um ninho de tucandeiras. Nesse ataque dessas formigas, em função da dor, do desespero e do pânico, ele tira as roupas", detalhou o perito. Segundo o perito criminal Sttefani Ribeiro, o estado de consciência do jovem já estava alterado pelo cansaço e consumo de álcool, o que agravou a reação ao ataque dos insetos. "Ao invés de caminhar para a RR-203, que estava a um metro e meio de distância, ele adentra em direção à mata", concluiu. Ainda segundo o perito, há indicativos de que Gabriel caminhou para onde tinha uma árvore com sombra, onde o corpo dele foi localizado posteriormente. Liderança indígena Gabriel Ferreira Rodrigues, de 28 anos, desapareceu no dia 1º de fevereiro CIR/Divulgação Causa da morte O corpo de Gabriel foi localizado quase 10 dias após o desaparecimento, por isso, a identificação foi feita por meio da arcada dentária. Duas lesões no pescoço do líder chegaram a levantar suspeitas de ação criminosa. No entanto, a perícia descartou a hipótese ao constatar que os ferimentos ocorreram somente após a morte, causados por animais da região. A causa da morte foi classificada como indeterminada, pois não foram encontradas fraturas no corpo, segundo o médico-legista Deyne Morais. Durante a queda, Gabriel sofreu apenas um pequeno furo perto da gola da camisa, provocado por um galho ou espinho, que causou um sangramento mínimo. Celular não indicou ameaças Além da ausência de lesões fatais, a análise do celular do jovem não apontou indícios de crimes. O chefe do Núcleo de Inteligência da PCRR, Ricardo Pedrosa, confirmou que não havia histórico de conflitos. “Não foram identificados mensagens, registros ou qualquer conteúdo que indicasse que a vítima estivesse sofrendo ameaças. Também não há boletins de ocorrência relacionados a esse tipo de situação”, informou Pedrosa. CIR pede cautela Em nota, CIR afirmou que o histórico do caso exige cautela e ressaltou que a hipótese de ação de terceiros não foi completamente afastada. A organização destacou circunstâncias que ainda causam "profunda preocupação" às comunidades. Segundo o conselho indígena, devido à motocicleta, o celular e as roupas de Gabriel terem sido encontrados a cerca de 250 metros de distância de onde o corpo estava e por ele ter sido localizado sem camisa, calça ou calçados, o caso não deve ser encerrado. O CIR informou que vai buscar especialistas independentes para analisar os laudos e que pedirá novas diligências periciais, além de acionar a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF). A justiça pelo jovem, segundo o conselho, é uma demanda coletiva em meio a um cenário de insegurança nos territórios. "O CIR seguirá acompanhando o caso até que não reste dúvida razoável sobre as circunstâncias da morte", declarou a organização. Procurado, o MPF informou que a investigação do caso é acompanhada pelo Ministério Público de Roraima. No entanto, o órgão federal instaurou um procedimento para monitorar a segurança e a proteção dos direitos coletivos das comunidades indígenas da região de Amajari. O MPF também afirmou que solicitará à Polícia Civil uma cópia do inquérito sobre a morte de Gabriel. O objetivo é analisar o documento e adotar providências que couberem dentro da esfera federal. Repercussão Em fevereiro, uma mobilização que cobrou justiça pela morte do jovem líder indígena foi realizada na RR-203. O ato teve como lema "Quem matou Gabriel?". O tuxaua-geral do CIR, Amarildo Macuxi, considerou o compartilhamento das informações positivo, mas ressaltou que as comunidades indígenas continuarão vigilantes. “Primeiro, a gente agradece a Polícia Civil e os peritos, que fizeram todo esse laudo sobre o caso Gabriel. A gente reconhece como um ponto positivo essa ação, o trabalho que foi feito no local e nas investigações”, disse a liderança. Lideranças indígenas de Roraima acompanham a apresentação dos laudos periciais da morte de Gabriel Ferreira Rodrigues. Divulgação/Polícia Civil O delegado-geral da Polícia Civil, Luciano Silvestre, destacou o foco na transparência das investigações. Os laudos foram encaminhados para a análise da procuradoria da Funai, segundo a coordenadora regional do órgão, Marizete de Souza. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/03/25/ataque-de-formigas-apos-acidente-fez-indigena-tirar-roupas-e-entrar-em-mata-onde-foi-encontrado-morto-em-roraima-diz-pericia.ghtml


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