Barbeiros são encontrados em 21 cidades de MS; estado não registra casos de Chagas em humanos
11/03/2026
(Foto: Reprodução) Barbeiro, inseto transmissor da doença de Chagas
Reprodução/SES
Um relatório divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) mostra que, em 2025, foram coletados 262 barbeiros — insetos transmissores da doença de Chagas — em 21 municípios de Mato Grosso do Sul. Entre as cidades está Campo Grande, onde foram registrados 49 exemplares.
Dois insetos encontrados no município de Anastácio testaram positivo para o protozoário Trypanosoma cruzi, responsável pela doença.
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Apesar da detecção do parasita em vetores, a SES informou que não há registro de transmissão da doença em humanos no estado.
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O monitoramento é feito por meio do boletim entomológico divulgado regularmente pela Coordenadoria Estadual de Controle de Vetores.
Segundo a secretaria, o boletim apresenta a presença dos insetos e os resultados das análises laboratoriais feitas com os exemplares coletados. A presença do barbeiro, por si só, não significa que haja transmissão da doença.
Transmissão
Os triatomíneos, conhecidos como barbeiros, são insetos que se alimentam de sangue de animais e de pessoas. A transmissão da doença de Chagas não ocorre pela picada, mas pelas fezes ou urina do inseto, que podem conter o protozoário Trypanosoma cruzi. Quando a pessoa coça o local da picada, o parasita pode entrar no organismo pela pele ou por mucosas.
Esses insetos vivem principalmente em áreas rurais e podem aparecer em casas quando há alterações no ambiente, como desmatamento.
De hábitos noturnos, costumam se esconder em frestas de telhados, chiqueiros, currais, ninhos de galinhas ou pássaros e até em casinhas de cachorro.
Uma fêmea pode viver até um ano e colocar entre 100 e 350 ovos durante o ciclo de vida. O barbeiro é parecido com o percevejo, mas tem desenhos característicos nas costas.
Em Mato Grosso do Sul, a espécie mais encontrada é o Triatoma sordida. Já o Triatoma infestans é mais comum em outras regiões do país.
Vigilância
A SES informou que mantém vigilância para identificar a presença do inseto e reduzir riscos. As ações incluem identificação das espécies coletadas, exames parasitológicos e orientações técnicas aos municípios.
Segundo técnicos da secretaria, encontrar o inseto não significa que a doença esteja presente, mas reforça a importância do monitoramento.
A SES afirma que o estado não é considerado endêmico para a doença de Chagas, mas que a vigilância continua ativa.
"Mato Grosso do Sul não é um estado endêmico, então não há motivo para alarde. Mas mantemos vigilância constante. Os 79 municípios realizam pesquisas de triatomíneos nas áreas rurais, e a população também pode colaborar informando quando encontrar o inseto."
Doença pode afetar coração e sistema digestivo
De acordo com o médico infectologista Maurício Pompilio, além da transmissão pelo barbeiro, a doença de Chagas também pode ocorrer pelo consumo de alimentos contaminados ou por transfusão de sangue.
A doença pode atingir diferentes órgãos do corpo, principalmente o coração e o sistema digestivo. Existe tratamento com medicamentos, mas os danos causados em fases mais avançadas costumam ser difíceis de reverter.
“Depois de muitos anos, a doença pode causar problemas cardíacos, com aumento do tamanho do coração. A pessoa passa a ter falta de ar, inchaço nas pernas, barriga estufada, palpitações e até desmaios. Em outros casos, pode afetar o sistema digestivo, provocando dilatação do intestino, com constipação severa, ou do esôfago, causando dificuldade para engolir”, explica o médico.
Como prevenir
A doença de Chagas pode aparecer poucas semanas após a infecção, na fase aguda, ou permanecer no organismo por muitos anos sem sintomas, caracterizando a fase crônica.
Por isso, especialistas recomendam cuidados principalmente em áreas rurais ou durante atividades como trilhas e acampamentos.
“Se a pessoa for fazer um passeio ou acampamento em área rural, é importante observar o ambiente e, se possível, utilizar repelente. Hoje é fácil encontrar imagens do inseto na internet para reconhecer o barbeiro”, orienta o infectologista.
O monitoramento da Coordenadoria Estadual de Controle de Vetores é feito por unidades localizadas em Campo Grande, Dourados, Jardim e Três Lagoas. Os laboratórios recebem insetos enviados pelos municípios para identificação e exames relacionados à doença de Chagas.
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