Campinas vai mapear orçamento para mudanças climáticas e prevê futuras obras adaptadas à 'agenda verde'

  • 17/08/2026
(Foto: Reprodução)
Vídeo: Campinas vai mapear orçamento para mudanças climáticas e prevê adaptação de obras A Prefeitura de Campinas (SP) vai mapear, no orçamento, investimentos relacionados às mudanças climáticas. O objetivo é que, a partir de 2028, esses gastos passem a ser vistos como fixos (previstos anualmente) e parte do planejamento de obras ou de ações das secretarias, visando preparar a cidade para eventos extremos. A informação foi trazida pela secretária adjunta do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade, Marcela Pupin. Ainda segundo ela, as futuras obras no município já deverão ser adaptadas à "agenda verde" e à "agenda azul" — ou seja, com requisitos para a sustentabilidade. "A obra cinza que antigamente a gente fazia na cidade, aquela só concretada, está sendo abraçada pela lente climática, pela agenda verde, pela agenda azul e trazendo um resultado de equalização na cidade para os enfrentamentos. Tanto o enfrentamento das emergências climáticas quanto da mitigação", disse. Uma obra de drenagem de água de chuva e a compra de um ar-condicionado para uma unidade de saúde são exemplos de investimentos para enfrentamento das mudanças climáticas. ✅ Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Obras do reservatório RP-1 (Proença), em Campinas (SP). "Piscinão" é exemplo de obra para enfrentar enchentes Bárbara Camilotti/g1 Atualmente, o município analisa as obras executadas e faz um levantamento do quanto foi gasto, em objetos ou no próprio projeto, com mecanismos para resistir ao calor ou para evitar enchentes. A partir de 2028, o valor já estará definido ("etiquetado") e se tornará parte das políticas públicas. "Quando a gente fala em trabalho, a gente fala em dinheiro. Quando a gente fala em dinheiro, precisa falar da peça orçamentária. Então, houve essa compreensão de que, para a efetividade das políticas públicas, o orçamento tem de ter essa lente climática", afirmou Pupin. Mudanças Foto de arquivo de um dia ensolarado em Campinas Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas A secretária adjunta também comentou que essa mudança no orçamento deverá impactar em legislações. O município possui o Plano Local de Ação Climática de Campinas (Plac), que reúne ações, subações e metas propostas até o ano de 2050 para mitigação de emissões de gases de efeito estufa e aumento da resiliência da cidade. Esse documento já influencia na construção do orçamento, uma vez que é necessário "reservar" verbas para cumprir as metas. Porém, outras legislações receberão o "olhar climático", como o Código de Obras, que está em processo de revisão até o fim de novembro, a Lei de Uso e Ocupação do Solo e o Plano Diretor de Campinas. Na prática, isso significa que empreendimentos aprovados pela cidade serão obrigados a cumprir mecanismos ou custear obras (as contrapartidas ou condições para aprovação) para enfrentamento das mudanças climáticas. "Antigamente, por exemplo, não se pensava nisso para o sistema viário. Era uma obra necessária, ponto. Agora, não. Há um diagnóstico de ilha de calor. Dessa ilha de calor tem uma contrapartida que é estar abraçada à recuperação do recurso hídrico que está abraçando o sistema viário", explicou Pupin. Segundo a secretária adjunta, obras que levam em consideração a sustentabilidade têm sido incentivadas já na captação de recursos. "Os próprios bancos minimizam, diminuem o impacto do financiamento, o custo da operação quando está voltado para a lente climática." Encontro Encontro em São Paulo reuniu prefeituras para discutir orçamento climático C40 Cities Nesta semana, representantes das prefeituras de Campinas, São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Curitiba (PR) e Recife (PE) se reuniram em São Paulo, durante o primeiro encontro da Academia de Orçamento Climático. O evento discutiu como a ação climática pode ser incluída nos orçamentos municipais para reagir melhor às mudanças e proteger os moradores. "Orçamento climático não significa necessariamente gastar mais, mas gastar melhor. Quando uma cidade entende como os recursos contribuem para suas metas climáticas, ela consegue transformar planos em prioridades de governo e direcionar o dinheiro público para ações que reduzem emissões, protegem a população e preparam a cidade para os impactos climáticos que já estamos vivendo", comentou Sara da Silva Freitas, gerente de orçamento climático do Programa Mutirão Brasil. Entre os temas que foram debatidos está o "Super El Niño", que deverá aumentar o risco de eventos climáticos extremos no Brasil nos próximos meses. O fenômeno, provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, já começou a influenciar o clima e tende a favorecer tempestades severas e enchentes. Foi por meio desse encontro que Campinas extraiu a ideia do "orçamento climático" para criar uma espécie de etiquetagem climática para as despesas. "A cidade precisa agir no preventivo para ser rápida quando ela precisar mitigar, mas principalmente quando ela precisar se adaptar às consequências daquilo que já estava constituído e vai sofrer com essas emergências", afirmou Pupin. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/08/17/campinas-vai-mapear-orcamento-para-mudancas-climaticas-e-preve-futuras-obras-adaptadas-a-agenda-verde.ghtml


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