Centro de referência no tratamento de câncer no Brasil completa 48 anos com 10 mil pacientes atendidos gratuitamente
25/01/2026
(Foto: Reprodução) Centro de referência no tratamento de câncer no Brasil completa 48 anos
O Centro Infantil Boldrini de Campinas, referência no tratamento contra câncer infantojuvenil no Brasil, completa 48 anos neste domingo (25). Ao longo dessa trajetória, o hospital já atendeu cerca de 10 mil pacientes vindos de diferentes regiões do país e da América Latina, sendo que aproximadamente 7 mil deles já estão fora da terapia.
Fundada pela médica Silvia Brandalise, a instituição oferece tratamento gratuito e se mantém, em sua maior parte, com recursos provenientes de doações. Um dos principais pilares da atuação do Boldrini é o diagnóstico precoce, apontado como decisivo para o sucesso do tratamento e para a redução de sequelas.
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Em quase cinco décadas de trabalho, o hospital acompanhou de perto a evolução da oncologia pediátrica: a taxa de cura, que era de cerca de 5% na década de 1970, chega hoje a 80%, índice comparável ao de centros de referência da Europa e dos Estados Unidos, segundo a instituição.
Uma história de superação
Cerca de 7 mil ex-pacientes do Centro Infantil Boldrini permanecem fora de terapia
Divulgação
Um exemplo disso é André Macluf, o primeiro paciente a realizar quimioterapia no Centro Infantil Boldrini com a médica Silvia Brandalise, fundadora do hospital. Atualmente, André é formado em odontologia e ocupa o cargo de vice-presidente no centro oncológico.
O ex-paciente conta que começou a tratar o câncer com 6 anos de idade, época em que o hospital era diferente dos dias de hoje. De acordo com André, tratava-se de uma pequena clínica com uma médica e uma enfermeira.
Foi aos 13 anos que André finalizou o tratamento no centro infantil. Segundo o dentista, sua vida seguia normalmente durante o tratamento, mas, por se tratar de uma época com baixa taxa de cura para a doença, o desafio era acreditar na melhora.
"Foi um tratamento difícil. Meus pais pensaram em parar com a quimioterapia porque eu estava muito fraco, e eu me incomodava muito com o fato de estar perdendo o cabelo. Lembro que as pessoas faziam piadas comigo na escola. Mas a doutora Silvia falou para continuar, e tenho certeza que se não fosse por ela, eu nem estaria vivo", relembra André Macluf.
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Segundo o vice-presidente, o Centro Infatil Boldrini atende 80% dos pacientes provenientes do Sistema Único de Saúde (SUS), mesmo dependendo de doações filantrópicas em sua maioria. O número representa, para ele, a importância do apoio da sociedade na luta contra o câncer.
"As pessoas precisam conhecer o Boldrini e acreditar no nosso trabalho. Hoje, vendo de dentro da instituição, sei como dependemos da ajuda de todos. Atualmente já temos uma taxa de cura de 80%, e a dra. Silvia fala que quer ver esse número chegar ao 100%. Eu acredito nela", comenta o vice-presidente.
*Estagiárias sob supervisão de Jéssica Stuque.
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