Chefe do PCC namorado de delegada ostentava dinheiro, armas e fazia apologia a facção

  • 19/01/2026
(Foto: Reprodução)
Publicações de Dedel nas redes sociais foram usadas como provas em investigação Reprodução Jardel Neto Pereira da Cruz, de 28 anos, conhecido como “Dedel” e “Vrau Nelas”, que atuava como um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Roraima, usava as redes sociais para ostentar armas, grandes quantias de dinheiro e fazer apologia à facção criminosa. Jardel é namorado da delegada Layla Lima Ayub, presa em São Paulo por suspeita de advogar para o grupo criminoso. A presença de Jardel nas redes sociais foi usada como prova para a prisão em flagrante em 2021. As publicações eram feitas no Instagram e no Facebook. Em uma das postagens, aparecem duas armas de fogo sobre uma mesa, ao lado de grande quantidade de dinheiro. A imagem foi acompanhada de mensagens e símbolos associados ao PCC, como o gesto com três dedos — conhecido como “Tudo 3” — e figuras de palhaços, que, segundo a Polícia Federal (PF), representam "matadores de policiais" dentro da facção. Jardel é natural de Santa Inês, no Maranhão, chegou a ser preso em Roraima em 2021 numa ação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), trabalho coordenado pela PF. Atualmente, Jardel está solto. Em outras publicações, Jardel aparece com arma de fogo na cintura, fazendo o gesto associado ao PCC, além de vídeos e fotos com consumo de drogas. Presa em São Paulo delegada que tinha sido empossada em dezembro A PF afirma no inquérito de 2021, que ele publicava fotos com o gesto conhecido como "Tudo 3", em apologia ao PCC. Dedel tem tatuado o símbolo "yin e yang", também associado à facção. "O estatuto/regulamento do PCC onde consta em seu item 2: 'Lutar sempre pela paz, justiça, liberdade, igualdade e união, visando sempre o crescimento da organização, respeitando sempre a ética do crime", cita parte do documento. Jardel costumava usar frases reflexivas como legenda nas publicações, quase sempre acompanhadas de emojis de palhaço. Em uma delas, escreveu: "Penso Como Um Assassino Vivo Como Um Psicopata Executo As Minha Ações Como Um Bom Calculista Que Sou, E Depois Apenas Relaxo E Vejo Sangue Escorrendo Entre Os Dedos Forte Leal Abraço”. A PF ressaltou que “Forte Leal Abraço” , também corresponde a um termo de tratamento entre os integrantes do PCC. 'Dedel' ou 'Vrau Nelas' Jardel Neto Pereira da Cruz, de 28 anos, conhecido como "Dedel" e "Vrau Nelas" Reprodução/Instagram Segundo a investigação da PF, Jardel chegou ao estado no início de 2021, vindo de São Paulo, com a missão de fortalecer a atuação do PCC no estado. Ele teria assumido papel de liderança regional, conhecido internamente como “Geral do Estado”, e atuado na venda de armas e drogas, além de participar de decisões internas da facção, como o chamado “tribunal do crime” Entenda: "Geral do Estado" é um cargo de liderança regional do PCC, responsável por coordenar a atuação da facção e participar da definição de regras e punições internas. A investigação da PF resultou na condenação de Jardel a oito anos de prisão. Ao longo do processo, o Ministério Público de Roraima (MPRR) reforçou as acusações. "O denunciado se autodeclarou como companheiro da organização criminosa – PCC, ratificando o apoio às lideranças regionais da referida facção criminosa", cita trecho da denúncia que levou à condenação, assinada pelo promotor Carlos Alberto Melotto. LEIA TAMBÉM: Conhecido como 'Dedel' e 'Vrau Nelas': quem é o chefe do PCC que namora delegada presa por ligação com a facção Namorado de delegada presa por ligação com o PCC apoiava facção em Roraima Treinamento para torturar Chefe do PCC em RR ensina técnicas de tortura para jovens Na mesma investigação, a PF disse que o acusado recrutava adolescentes para a facção criminosa por saber que a legislação prevê punições mais leves para essa faixa etária, o que dificultaria a responsabilização penal. Além disso, ele ensinava técnicas de tortura para jovens da facção. Um vídeo publicado nas redes sociais Jardel aparece mostrando a jovens como bater nas mãos com pedaço de madeira. O vídeo foi postado com a legenda "Aqui o chicote estala". Entre as atuações dele em Roraima, segundo a PF, estavam cobranças a integrantes locais do PCC por posturas mais agressivas, incluindo a articulação de ataques contra autoridades do Judiciário, do sistema penal e das forças de segurança. Prisão da delegada Delegada Layla Lima Ayub e o namorado Jardel Neto Pereira da Cruz, chefe do PCC em Roraima Instagram/Reprodução A delegada Layla Lima Ayub foi presa durante uma operação do Ministério Público de São Paulo que investiga a infiltração do crime organizado em estruturas do Estado. Segundo a investigação, ela mantinha vínculo pessoal e profissional com integrantes do PCC e teria exercido irregularmente a advocacia mesmo após tomar posse como delegada, em dezembro de 2025. De acordo com o Ministério Público, Layla e Jardel são investigados pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A Justiça decretou a prisão temporária do casal e autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Pará. Na cerimônia de posse da delegada, realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, Jardel Neto Pereira da Cruz apareceu ao lado dela. Ele é apontado por autoridades da Região Norte como um dos chefes do tráfico de armas e drogas ligados ao PCC em Roraima. As investigações também apuram a compra de uma padaria na Zona Leste de São Paulo com dinheiro de origem ilícita, supostamente em nome de um “laranja”, para ocultar a real propriedade do negócio. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/01/19/chefe-do-pcc-namorado-de-delegada-ostentava-dinheiro-armas-e-fazia-apologia-a-faccao-nas-redes-sociais.ghtml


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