Estreito de Ormuz: as posições de Irã, EUA, Rússia e Europa sobre o bloqueio que ameaça a economia global

  • 02/04/2026
(Foto: Reprodução)
Irã diz que vai abrir o Estreito de Ormuz para embarcações “não hostis” Benoit Tessier/Reuters Autoridades do Irã anunciaram nesta quinta-feira (2) que o país está trabalhando em um protocolo para garantir o tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz em conjunto ao Omã. O vice-ministro de Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, disse à agência estatal russa Sputnik que o protocolo para gerenciar a circulação das embarcações seria aplicado assim que a guerra terminasse. A situação de Ormuz tem causado uma preocupação internacional crescente. Também nesta quinta, 40 países pediram a "reabertura imediata" da passagem. Países do Golfo Pérsico pediram da ONU autorização do usa da força para essa liberação, que prejudica suas exprotações. O estreito é um importante corredor marítimo, por onde passam cerca de 20% das exportações de petróleo do mundo. O fluxo é controlado tanto pelo Irã quanto pelo Sultanato de Omã, que detém um exclave na costa sul do local. Pronunciamento de Trump e fechamento de Ormuz preocupam governos e mercados Teerã mantém a passagem efetivamente fechada desde que o país foi atacado por EUA e Israel, em 28 de janeiro. O bloqueio tem causado impactos mundiais no preço de combustíveis e no suprimento de fertilizantes, entre outras indústrias. Veja, a seguir, quais os principais desdobramentos recentes envolvendo Ormuz: O Irã disse estar trabalhando com Omã em um protocolo que assegure o tráfego marítimo no estreito. Ele só entraria em vigor, no entanto, quando a guerra com EUA e Israel terminasse. De qualquer forma, essa reabertura não valeria para navios ligados e EUA e Israel. Segundo Teerã, o estreito permanecerá fechado a longo prazo para ambos os países. Cerca de 40 nações, lideradas pelo Reino Unido, exigem a reabertura imediata e incondicional do estreito, acusando o Irã de manter a economia mundial como "refém". Medidas econômicas e sanções estão sendo consideradas. Ao mesmo tempo, o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), que reúne países do Golfo Pérsico, solicitou ao Conselho de Segurança da ONU autorização para o uso da força para liberar a via marítima. Já a Rússia, aliada de Teerã, afirma que o Estreito de Ormuz está aberto para suas embarcações. Ao longo de março, o Irã afirmou que a passagem estaria liberada para alguns navios, desde que não fossem de inimigos do regime ou de aliados de EUA e Israel. Reunião sem EUA O Reino Unido acusou o Irã nesta quinta-feira (2) de “manter a economia mundial como refém”, enquanto diplomatas de mais de 40 países participaram de uma reunião para discutir formas de reabrir o Estreito de Ormuz, rota marítima vital afetada pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Os Estados Unidos não participaram do encontro virtual. A ausência ocorre após o presidente Donald Trump afirmar que garantir a segurança da via marítima não é responsabilidade americana. Ele também criticou aliados europeus por não apoiarem a guerra e voltou a ameaçar retirar os EUA da Otan. Ilustração com mapa do Estreito de Ormuz Reuters Tráfego marítimo quase paralisado Ataques iranianos a navios comerciais — e a ameaça de novos ataques — praticamente interromperam o tráfego no Estreito de Ormuz. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, foram registrados 23 ataques diretos a embarcações comerciais na região, com 11 tripulantes mortos, segundo a empresa de dados marítimos Lloyd’s List Intelligence. O fluxo de navios caiu drasticamente. Os poucos petroleiros que ainda cruzam a área são, em sua maioria, embarcações que tentam driblar sanções para transportar petróleo iraniano. Segundo a empresa, o Irã mantém controle rigoroso sobre quem pode atravessar o estreito. Em discurso na noite de quarta-feira (1º), Trump afirmou que países dependentes do petróleo da região “devem cuidar disso”, indicando que os EUA não vão intervir. Embora os EUA não importem petróleo e gás diretamente via Ormuz, a diminuição da oferta causa impacto direto no mercado americano, já que aumenta o preço do barril no mercado global. Os eleitores americanos já veem os preços de gasolina, transporte e mercadoria subirem, o que ameaça a popularidade do presidente.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/04/02/estreito-de-ormuz-as-posicoes-de-ira-eua-russia-e-europa-sobre-o-bloqueio-que-ameaca-a-economia-global.ghtml


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