Ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus encaminhou mais de R$ 1,3 milhão para empresa fantasma, diz polícia

  • 26/02/2026
(Foto: Reprodução)
Ex-chefe de gabinete de David Almeida movimentou mais de R$ 1,3 milhão à empresa fantasma Para a Polícia Civil do Amazonas, a ex-chefe do gabinete pessoal do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante-AM), Anabela Cardoso Freitas, foi a responsável por encaminhar mais de R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo para a agência de turismo Revoar, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que é a unidade de inteligência financeira do Brasil. Os valores não tem origem declarada, um indício de dinheiro ilícito e, segundo a polícia, a agência é uma empresa fantasma. Anabela e o dono da agência, Alcir Queiroga, foram presos na operação Erga Omnes, deflagrada na sexta-feira (20) e que investiga o "núcleo político" do Comando Vermelho (CV) no Amazonas. Além deles, outras 12 pessoas foram presas, sendo oito no estado. Nove investigados seguem foragidos, inclusive o chefe do grupo, apontado pela polícia. Ação também resultou na apreensão de carros de luxo, dinheiro em espécie e documentos. Em depoimento à polícia, Alcir Queiroga confirmou as informações da polícia sobre a movimentação financeira por parte de Anabela e afirmou que os valores foram usados para comprar passagens aéreas para viagens do prefeito David Almeida, dos seus familiares e de integrantes da cúpula do poder executivo de Manaus. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp A Policia Civil concluiu que a agência de turismo é fantasma, porque ela não possui sede para atender clientes, não tem site e nem registro de compra de passagens em companhias aéreas. O único endereço disponível é o da casa de Alcir. Segundo a polícia, Anabela movimentou dinheiro sem declaração de origem para uma facção criminosa e fez o mesmo para comprar passagens aéreas para membros da prefeitura e seus familiares. O g1 e a Rede Amazônica tiveram acesso ao depoimento de Alcir. Em 20 de fevereiro, ele afirmou que Anabela comprava passagens para outras pessoas, como o prefeito David Almeida, que ela pedia a emissão de passagens para o prefeito sair de férias e deu como exemplo a viagem ao caribe, no Carnaval do ano passado. Na ocasião, Anabela comprou passagens tambem para a primeira-dama, Izabelle Fontenelle e mais dois parentes e que o pagamento foi à vista, em dinheiro, de aproximadamente R$ 34 mil. A ex-chefe de gabinete também pedia passagens para o vice-prefeito, Renato Junior, e para outras pessoas da prefeitura. A maioria dos pagamentos era em dinheiro em espécie, com cédulas de R$ 20, R$ 50 e R$ 100. Alcir afirmou também que Anabela quase não viaja e que a maioria das viagens era para pessoas da prefeitura, sendo que a maioria dessas viagens era para o lazer e de parentes próximos. O investigado também disse que chegou a emitir passagens para o subsecretário de obras, Valcerlan Ferreira Cruz, também pagas em dinheiro. Em um depoimento complementar, realizado no sábado (21), ele acrescentou que os valores pagos em dinheiro vivo eram de R$ 15 mil a até R$ 40 mil e muitas vezes emitidas em regime de urgência. A maioria dos destinos era São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília e quando o prefeito viajava, dificilmente ia só, sempre acompanhado de amigos, segurança, assessores e parentes. Alcir também reforçou que os pagamentos eram feitos em dinheiro em espécie, e que agora teme por sua vida. O g1 tenta contato com a defesa dos demais citados no depoimento, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. LEIA TAMBÉM Servidor do TJ, policial e ex-assessores de vereadores: veja quem são os alvos da operação para desarticular 'núcleo político do CV' no AM Veja quem são os nove suspeitos de integrar 'núcleo político' do CV no Amazonas que estão foragidos Anabela Freitas, presa na operação Erga Omnes em Manaus na sexta-feira (20). Rede Amazônica Operação Erga Omnes Segundo a polícia, a organização criminosa movimentou cerca de R$ 70 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 9 milhões por ano desde 2018, e atuava em conjunto com traficantes do Amazonas e de outros estados. As investigações apontam que os suspeitos facilitavam a contratação de empresas de fachada nos setores de transporte e logística. Na prática, essas empresas seriam usadas para comprar drogas na Colômbia e enviá-las a Manaus. Da capital amazonense, os entorpecentes seriam distribuídos para outras unidades da federação. Os investigados devem responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e violação de sigilo funcional. INFOGRÁFICO - Operação contra 'núcleo político' do CV no Amazonas g1

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/02/26/ex-chefe-de-gabinete-do-prefeito-de-manaus-movimentou-mais-de-r-13-milhao-para-empresa-fantasma.ghtml


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