Maior chacina do DF: réus deram versões conflitantes sobre série de crimes; júri está no quinto dia

  • 17/04/2026
(Foto: Reprodução)
Réus pela maior chacina do DF durante julgamento Ana Lídia Araújo/g1 Os dois dias de interrogatórios dos réus no julgamento da maior chacina da história do Distrito Federal foram marcados por versões diferentes e, em vários pontos, conflitantes sobre a série de crimes. Ao todo, 10 pessoas de uma mesma família foram mortas. São acusados pelos crimes: Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva. ➡️ Durante o julgamento, um réu não acompanha o interrogatório do outro. Ao longo dos interrogatórios, os cinco mostraram estratégias distintas de defesa: um deles preferiu não falar; alguns admitiram participação parcial; outros negaram envolvimento nas mortes -- houve até quem se dissesse "vítima" do caso. ➡️ Após essa fase, o júri entrou na etapa de debates nesta quinta-feira (16), quando acusação e defesa apresentam versões finais aos jurados. ➡️A acusação foi ouvida nesta quinta, e indicou que não pretende usar o tempo de réplica. Nesta sexta, serão ouvidos os advogados de cada um dos cinco réus. Cada banca terá até 50 minutos. ➡️ Depois disso, os jurados decidem se os acusados são culpados ou inocentes. As principais divergências entre os réus giram em torno de três pontos centrais: quem liderava o grupo qual era o plano inicial quem participou diretamente de cada uma das mortes Os cinco réus da Chacina do DF acompanham o julgamento algemados. Gideon: era vítima; vítima foi 'líder' Gideon Batista de Menezes é apontado pelo Ministério Público como líder do grupo e idealizador do plano. Ele trabalhava e morava na chácara de Marcos Antônio Lopes de Oliveira, a primeira e uma das vítimas centrais do caso. Durante o interrogatório, Gideon negou participação ativa e afirmou que também foi vítima. Ele disse que, no dia do sequestro de Marcos, teria sido amarrado e levado ao cativeiro. Segundo ele, ele passou a participar das ações sob coação e era constantemente monitorado. O réu apresentou uma versão que contraria a investigação: afirmou que Thiago Belchior - uma das vítimas - teria liderado o plano criminoso e participado de assassinatos da própria família antes de ser morto. Gideon também disse que Horácio seria vítima dentro do grupo. Segundo a denúncia, Gideon responde por: homicídios qualificados (incluindo as dez vítimas) extorsão mediante sequestro ocultação e destruição de cadáver associação criminosa corrupção de menor roubo constrangimento ilegal Gideon Batista de Menezes, um dos réus pela maior chacina da história do DF, durante depoimento Ana Lídia Araújo/g1 Horácio: não respondeu às perguntas Horácio Carlos Ferreira Barbosa exerceu o direito de permanecer em silêncio e não respondeu às perguntas durante o interrogatório. Em nota, a defesa afirmou que, embora seja “inegável” a ocorrência dos homicídios, não há comprovação da autoria. Segundo o advogado Sandro Soares Santos, a estratégia é técnica: cabe à acusação provar a culpa. “A dúvida, ainda que mínima, tem que ser usada em benefício do meu cliente”, disse ao g1. Segundo a denúncia, Horácio responde por: homicídios qualificados extorsão mediante sequestro ocultação e destruição de cadáver associação criminosa corrupção de menor roubo fraude processual (por tentativa de apagar provas) Chacina no DF: acusados de matar 10 pessoas da mesma família vão a júri popular Fabrício: admite plano, nega assassinatos Fabrício Silva Canhedo afirmou que se associou a Gideon e Horácio para subtrair bens das vítimas. Ele disse que aceitou participar porque precisava de dinheiro para uma cirurgia do filho, mas que o plano inicial não envolvia mortes. Segundo o réu, ele deixou o grupo ao saber das mortes de Renata e Gabriela. “Ele [Gideon] disse que era uma coisa que ia dar muito dinheiro e que o Horácio já tinha topado”, afirmou. Fabrício disse que sua função era cuidar do cativeiro e preparar comida para as vítimas, que eram mantidas vendadas. Ele confirmou que esteve com Renata, Gabriela, Claudia, Ana Beatriz e Thiago. Em nenhum momento, Fabrício citou participação de Thiago nos crimes. Ao final, chorou e pediu perdão às famílias. Segundo a denúncia, Fabrício responde por: extorsão mediante sequestro associação criminosa roubo fraude processual ➡️O MP não o aponta como executor direto das mortes, mas como participante do plano e responsável por apoio logístico, como fornecer armas e manter o cativeiro. Fabrício Silva Canhedo, um dos cinco réus da maior chacina do Distrito Federal, durante interrogatório Ana Lídia Araújo/g1 Carlomam: admite disparo, mas 'sem intenção' Carlomam dos Santos Nogueira confessou que atirou em Marcos Antônio Lopes de Oliveira, mas disse que o disparo foi “acidental”. Segundo ele, a vítima já estava rendida quando houve um embate, momento em que ocorreu o tiro “sem querer”. Carlomam dos Santos Nogueira também relatou que, há algum tempo, era amigo de Fabrício Canhedo, outro réu. Eles teriam conversado que “teria uma fita para eles ganharem dinheiro”, e que estavam passando por uma crise financeira que seria solucionada. Já Fabrício, em depoimento, afirmou que os dois foram “escolhidos” para participar e não citou que teria convidado Carlomam. Segundo a denúncia, Carlomam responde por: homicídios qualificados extorsão mediante sequestro ocultação e destruição de cadáver associação criminosa corrupção de menor roubo Foto de 2018 de Carlomam dos Santos Nogueira, 4º suspeito de ter participado da chacina de família no DF Polícia Civil do DF/Divulgação Carlos Henrique: admite roubo, mas não morte Carlos Henrique Alves da Silva afirmou que participou apenas de um roubo contra Thiago Belchior. Segundo ele, a proposta era pegar o celular da vítima para que o grupo pudesse acessar aplicativos bancários. Ele receberia R$ 5 mil para dar apoio no assalto. O réu disse que deixou o local com Thiago ainda vivo e que não sabia de qualquer plano de sequestro ou homicídio. Ele afirmou que o plano foi apresentado a ele por Gideon. O Ministério Público entende que ele contribuiu para a captura da vítima, o que levou à morte posteriormente. Segundo a denúncia, Carlos Henrique responde por: sequestro de Thiago homicídio qualificado de Thiago Veja quem são as dez pessoas da mesma família assassinadas no DF Arte/g1 O que diz a denúncia? A investigação classificou o crime como um "plano cruel e torpe". Segundo o MP do DF, os acusados atuaram de forma coordenada, com funções definidas e uso de violência extrema ao longo de semanas. Veja a ordem cronológica do crime, segundo a denúncia: Outubro de 2022: segundo o Ministério Público, Gideon, Horácio, Fabrício e Carlomam — e também um adolescente — se associam para cometer crimes. 27 de dezembro de 2022: Gideon, Horário e Carlomam, acompanhados de um adolescentente, vão até a chácara e rendem Marcos Antônio Lopes de Oliveira, a esposa dele, Renata Juliene Belchior, e a filha do casal, Gabriela Belchior. Durante a ação, cerca de R$ 49 mil são roubados. As vítimas são levadas para um cativeiro em Planaltina. No local, Marcos é morto e tem o corpo esquartejado por Gideon e Horácio. A partir de 28 de dezembro: Renata e Gabriela permanecem em cativeiro. Fabrício chega ao cativeiro e assume a função de vigilância. Segundo a denúncia, os criminosos passam a usar os celulares das vítimas para enviar mensagens e se passar por elas, mantendo contato com conhecidos e familiares para não levantar suspeitas e preparar novas abordagens. Entre 2 e 4 de janeiro de 2023: Cláudia Regina Marques de Oliveira e a filha, Ana Beatriz Marques de Oliveira, são rendidas na casa onde moravam, no Lago Norte. Elas têm bens roubados, incluindo um carro, e são levadas para o mesmo cativeiro onde estavam Renata e Gabriela. As duas também passam a sofrer ameaças e a ter senhas bancárias exigidas pelos acusados. 12 de janeiro de 2023: Thiago Gabriel Belchior, marido de Elizamar e filho de Marcos e Renata, é atraído até a chácara Quilombo após mensagens enviadas pelos criminosos. Ele é sequestrado com a ajuda de Carlos Henrique Alves da Silva e levado ao cativeiro, onde é mantido sob ameaça. 12 e 13 de janeiro: usando o celular de Thiago, os criminosos entram em contato com Elizamar e a convencem a ir até a chácara Quilombo com os três filhos do casal: Rafael, de 6 anos, Rafaela, 6 anos, e Gabriel, 7 anos. Ao chegar, todos são rendidos e levados até uma rodovia em Cristalina (GO). Segundo o MP do DF, Elizamar e as três crianças são mortas por estrangulamento por Gideon e Horácio, e o carro com os corpos é incendiado. Carlomam acompanhou a ação. 14 de janeiro: Renata e Gabriela Belchior, que estavam em cativeiro desde o início, são levadas até uma rodovia em Unaí (MG). Lá, são mortas por estrangulamento, também por Gideon e Horácio, com Carlomam acompanhando, e têm os corpos queimados dentro de um veículo. Ao saber do assassinato de Renata e Gabriela, Fabrício se desentende com o trio e abandona o plano. 15 de janeiro: sob ordens de Gideon, Horário e Carlomam levam Cláudia, Ana Beatriz e Thiago até uma cisterna próxima ao cativeiro, em Planaltina. Segundo a denúncia, os três são assassinados a golpes de faca, e os corpos são jogados no local e cobertos com terra e cal. 16 de janeiro: após os crimes, parte do grupo tenta destruir provas. De acordo com o MP do DF, objetos do cativeiro são queimados e o local é alterado para dificultar o trabalho da perícia. Entre os crimes apontados na denúncia da Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Planaltina estão: homicídios qualificados: de 12 a 30 anos de prisão; extorsão: quatro a 10 anos de prisão; roubo: quatro a 10 anos de prisão; sequestro: de dois a oito anos de prisão; constrangimento ilegal: de três meses a um ano de prisão; fraude processual: de três meses a dois anos de prisão; corrupção de menores: de um a quatro anos de prisão; ocultação e destruição de cadáver: de um a três anos de prisão. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/04/17/maior-chacina-do-df-reus-deram-versoes-conflitantes-sobre-serie-de-crimes-juri-esta-no-quinto-dia.ghtml


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