Manaus está entre as capitais com pior cobertura de pré-escola no país, aponta estudo
29/04/2026
(Foto: Reprodução) Centro de Educação infantil em Manaus
Divulgação
Manaus está entre as capitais com os piores índices de cobertura de pré-escola no Brasil. Segundo levantamento da Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), apenas 80,2% das crianças de 4 e 5 anos estão matriculadas na rede de educação infantil na capital amazonense.
O percentual coloca a cidade entre os sete piores resultados do país e abaixo do nível considerado ideal, de pelo menos 90% de atendimento. A pré-escola é obrigatória no Brasil desde 2013.
Na região Norte, Manaus aparece atrás de Rio Branco (AC), com 85,9%, e Porto Velho (RO), com 81,6%. Outras capitais também apresentam índices baixos, como Boa Vista (RR), Belém (PA) e Macapá (AP).
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O estudo mostra que o problema é mais concentrado na região Norte. Cerca de 29% dos municípios não atingem 90% de cobertura, quase o triplo do registrado na região Sul, onde o índice é de 11%. Ao todo, são 130 cidades nortistas com atendimento considerado insuficiente.
Municípios com menos de 90% de atendimento na pré-escola
Em todo o país, 876 municípios têm menos de 90% das crianças matriculadas na pré-escola. Isso representa cerca de 329 mil crianças fora da sala de aula nessa etapa.
Os dados foram calculados a partir do cruzamento de informações do Censo Escolar com estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento acompanha, ano a ano, o acesso de crianças à educação infantil, incluindo creche e pré-escola.
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Infraestrutura precária nas escolas de educação infantil
Além do desafio do acesso, os dados revelam problemas graves na qualidade da oferta. Apenas 17% das escolas públicas de educação infantil no Brasil possuem toda a infraestrutura básica considerada adequada para o funcionamento, segundo o levantamento baseado no Censo Escolar.
Embora todas ofereçam alimentação, faltam condições essenciais em muitas unidades. Há escolas sem rede de esgoto, sem coleta regular de lixo e sem abastecimento de água da rede pública, comprometendo o ambiente onde crianças pequenas passam boa parte do dia.
A infraestrutura pedagógica também é limitada. A maioria das unidades não dispõe de biblioteca ou sala de leitura, e estruturas fundamentais para a infância seguem sendo exceção: apenas 45% das escolas contam com parque infantil e 36% têm área verde, espaços considerados essenciais para o desenvolvimento físico, motor e emocional das crianças.
Os dados sinalizam a importância de garantir a ampliação do acesso em sintonia com condições mínimas de aprendizagem e bem‑estar, evitando que desigualdades sejam perpetuadas desde os primeiros anos de vida.
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