Menino com autismo usa desenhos para se comunicar e família transforma arte em fonte de renda no litoral de SP
02/04/2026
(Foto: Reprodução) Enzo (menino à esquerda) tem autismo e usa desenhos para se comunicar; família transformou a arte em fonte de renda
Arquivo pessoal
Nesta quinta-feira, dia 2 de abril, é celebrado como o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. Na data, o g1 conta a história de talento e a singularidade de uma criança autista não verbal, que com criatividade está usando a arte para se expressar e ajudar no sustento da própria família.
Isso porque o que era para ser um meio de comunicação entre um filho e os pais, se tornou um empreendimento em Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo. A história é do Enzo Ramos, de 13 anos. Ele foi diagnosticado com autismo nível dois e tinha dificuldade de se expressar.
Segundo a família, antes da pandemia da Covid-19, Enzo estudava na rede municipal de ensino em Caraguatatuba, onde também tinha sessões de terapia. Com a chegada do vírus e o lockdown, o aprendizado dele foi prejudicado.
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Não demorou muito para que ele se comunicasse com a família através de outro método: os desenhos.
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“A gente pegou o único computador que tinha da família e pensamos: ‘vamos colocar ele para ver desenho no YouTube, essas coisas’. E eu comecei a notar que no final do dia sempre tinha umas abas abertas de um programa. Até então eu não dava atenção e desligava”, relembra a mãe, Cátia Regina Ramos.
Um episódio em especial fez os pais de Enzo perceberem o desenho como um caminho para a comunicação dele.
“Teve vários episódios de insônia que ele teve, às 3h, 4h da manhã, batendo porta, chorando, e teve uma ocasião que quando eu fui fechar o notebook no fim do dia e tinha um desenho e eu comecei a prestar atenção no desenho e o desenho representava essa vivência dele”, recordou.
“É uma tela preta. No meio da tela preta existe tipo uma luz, como se fosse uma luz uma cor amarela e um bonequinho no meio, com cara de triste. Então ele conseguiu ali produzir uma vivência dele que foi insônia”, contou.
Menino com autismo usa desenhos para se comunicar e família transforma arte em fonte de renda no litoral de SP
Arquivo pessoal/Cátia Regina Ramos
Enzo passou então a retratar em desenhos as vivências do dia-a-dia, além do carinho pela família. Cátia resolveu estampar camiseta para presentear a família e os primeiros pedidos de encomendas surgiram ainda na academia que ela trabalhava.
“Nesse meio tempo eu fui trabalhar fora, à noite, meu marido trabalhava de dia e eu trabalhava à noite numa academia, e a gente mostrou para os alunos, que foi nosso primeiro estoque, nosso primeiro lote de 14 camisetas somente. E aí a galera gostou, a galera começou a perguntar quanto custava e eu falei: ‘Meu Deus, isso aqui pode virar uma fonte de renda’. Então a gente começou dessa forma e isso no final da pandemia”, explicou.
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A partir daí a família começou a estampar mais camisetas e a divulgar nas redes sociais. Nos canais de comunicação, a mãe contou que aproveita para falar vivências do Enzo e falar sobre o autismo.
Agora, a ideia é transformar a venda das camisetas como a principal fonte de renda da família, como uma forma de também levar conscientização sobre a causa e criar um canal de comunicação entre o Enzo e o mundo.
“Agora a gente está reativando a loja, investindo pesado no sentido da essa ser nossa principal fonte de renda. O objetivo é esse: transformar essa loja em algo assim que possa realmente dar o sustento para a gente”, contou.
"Ele ficou encantado quanto viu a camiseta estampada. Ficou maravilhado ao ver sair da tela para a algo palpável", completou Cátia.
Menino com autismo usa desenhos para se comunicar e família transforma arte em fonte de renda no litoral de SP
Arquivo pessoal
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