Mulher entra em estado vegetativo após cirurgia de baixo risco e família denuncia negligência em hospital particular no Recife

  • 31/01/2026
(Foto: Reprodução)
Mulher entra em estado vegetativo após cirurgia de baixo risco A família da servidora pública Camila Miranda Wanderley Nogueira de Menezes, de 38 anos, denuncia uma suposta negligência médica durante uma cirurgia de hérnia e retirada de pedra na vesícula realizada no Hospital Esperança, no bairro da Ilha do Leite, na área central do Recife. De acordo com a defesa dos familiares, Camila estava saudável e deu entrada na unidade para um procedimento considerado de baixo risco em agosto do ano passado. Durante a operação, no entanto, ela apresentou apneia, que é a interrupção temporária e involuntária da respiração. Já faz cinco meses que a paciente segue internada, sob cuidados intensivos, em estado vegetativo. ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp Em entrevista ao g1, o advogado Paulo Maia afirmou que os sinais de agravamento do quadro clínico já apareciam nos monitores da sala cirúrgica no início do procedimento. Segundo ele, a falta de intervenção adequada fez com que o quadro evoluísse para uma parada cardiorrespiratória. O g1 entrou em contato com o Hospital Esperança, mas, até última atualização desta reportagem, não obteve resposta. "Às 10h47, o monitor da cirurgia já demonstrava que Camila estava com um quadro de apneia, ou seja, não estava ventilando bem, não estava recebendo a oxigenação devida. [...] E ninguém se atentou a isso. Tanto é que a cirurgia prosseguiu normalmente, a anestesista, não se sabe o que ela estava fazendo, que ela não viu isso. [...] E simplesmente continuaram do mesmo jeito, como se nada tivesse acontecido", afirmou. Segundo o advogado, a apneia evoluiu para uma parada cardíaca, agravando o estado de saúde da paciente. "Às 11h18 foi que a cirurgiã identificou que Camila estava em parada cardíaca. Às 11h33, ou seja, [após] 15 minutos de manobra de ressuscitação foi que Camila retornou à vida. Mas todo esse estrago aí, todo esse histórico de sucessivas falhas, omissões, pode-se assim dizer, acabou fazendo o cérebro dela não receber a oxigenação devida e ela ficasse no quadro em que está hoje", disse. Ainda de acordo com Paulo Maia, Camila perdeu completamente a consciência e depende de cuidados permanentes, o que tem impactado profundamente toda a família. Casada com o médico Paulo Nogueira Menezes, Camila tem dois filhos: uma menina de dois anos e um menino de seis. A família mora em Arcoverde, no Sertão de Pernambuco, mas a paciente segue internada na unidade hospitalar, no Recife, desde o dia da cirurgia. "Camila hoje está lá de corpo, mas a sua consciência não está mais presente. Então, Paulo [o marido de Camila] perdeu a esposa. Ela tem dois filhos, os pais de Camila perderam a filha, os irmãos de Camila perderam a irmã, e isso é o que a gente fala sem romantizar essa história. Porque a gente sabe o que aconteceu com Camila, e eles estão lutando para poder honrar a presença dela que ficou ali, mas tudo isso traz um peso muito grande. Tanto o peso financeiro, mas um peso principalmente emocional", declarou. Camila Nogueira está em estado vegetativo há cinco meses depois de suposta negligência em hospital do Recife Reprodução/Instagram Denúncia ao Cremepe O procedimento foi realizado no dia 27 de agosto de 2025, no Hospital Esperança, da Rede D’Or. De acordo com a defesa da família, a cirurgia estava programada para ser feita pela cirurgiã Clarissa Guedes e uma anestesista que participou das consultas pré-operatórias. No entanto, por atraso em outro procedimento, essa anestesista não pôde comparecer, sendo substituída por Mariana Parahyba. A cirurgiã auxiliar Daniele Teti também integrava a equipe médica. Em dezembro do ano passado, o advogado dos parentes de Camila entrou com uma representação no Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) pedindo o afastamento e a cassação do registro profissional das três profissionais pela possível negligência médica. O g1 tenta contato com as defesas das profissionais. "Tiveram uma série de cuidados, que eram cuidados básicos, que foram negligenciados. [...] A outra anestesista não conseguiu mais participar porque ela estava em bloco cirúrgico e demorou muito. Quando foi a cirurgia de Camila, tinha dado o horário dela e ela disse que não ia ter condições de assumir. Como a cirurgia já estava programada, vem também a situação que é função, inclusive, da cirurgiã de liderar a equipe, então, chegou essa outra anestesista lá. Quando ela chegou, prosseguiu com a cirurgia", disse. Procurado, o Cremepe informou que as denúncias e sindicâncias instauradas tramitam sob sigilo processual, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional, regido pela Resolução nº 2.306/2022, do Conselho Federal de Medicina (CFM). Além da representação no Cremepe, o advogado Paulo Maia informou que os parentes de Camila também vão ingressar com uma ação criminal na Justiça contra as três profissionais que participaram da cirurgia de Camila. "A família, na verdade, está entrando com um processo criminal contra as médicas porque entenderam, na visão deles, que teve um crime ali na Justiça. A gente está falando aqui de contrato de crime contra a vida. [...] Fazendo isso aí, principalmente, vai evitar que casos como o de Camila aconteçam novamente", declarou. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2026/01/31/mulher-entra-em-estado-vegetativo-apos-cirurgia-de-baixo-risco-e-familia-denuncia-negligencia-em-hospital-particular-no-recife.ghtml


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