Mulher que sobreviveu com restos de comida em lixão se torna empresária no litoral de SP

  • 19/01/2026
(Foto: Reprodução)
Mulher que sobreviveu com comida de lixão vira empreendedora no litoral de SP Quem vê o sucesso da confeiteira Patrícia Lopes Santos, de 42 anos, que recentemente abriu a segunda loja em Praia Grande, no litoral de São Paulo, não imagina o que ela enfrentou na infância. Aos 9 anos, começou a trabalhar em um lixão de São Vicente (SP), onde coletava recicláveis e aproveitava restos de comida para sobreviver. Patrícia permaneceu no lixão até os 21 anos. Nesse período, engravidou, chegou a entregar o filho à avó paterna por falta de condições e só conseguiu mudar de vida quando recebeu a oportunidade de trabalhar em uma padaria. Ali descobriu que existia mais vida além do lixão. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. Depois se casou novamente, teve uma filha, trabalhou em ferro-velho, vendeu salgados e, em 2015, sonhou com um bolo de pote. Foi quando tudo mudou: estudou receitas, começou um negócio na garagem e hoje administra duas confeitarias, onde hoje emprega nove pessoas. Infância difícil A vida mudou quando a mãe ficou desempregada. Patrícia e o irmão foram morar com o namorado dela, no bairro Sambaiatuba, em São Vicente. Segundo Patrícia, o homem escondia comida e também abusava dela, que tinha 8 anos, e da irmã, que morava com uma madrinha e apenas visitava a família nos finais de semana. Quase um ano depois, diante da situação, ela, o irmão e a mãe se mudaram para um barraco no mesmo bairro, onde só cabia uma beliche e um guarda-roupas. Sem condições, o irmão descobriu o lixão perto e pediu para interromper os estudos e trabalhar. Patrícia se ofereceu para ajudar. “A gente mexia nos lixos com a mão mesmo, sem luva [...]. A gente catava material reciclável, vendia e levava o dinheiro para minha mãe". Patrícia vendendo os salgados na feira em São Vicente (à esq.) e na loja dela de confeitaria em Praia Grande (à dir.) Arquivo Pessoal Ela lembra que caminhões despejavam restos de mercados. “Muita gente ali sobrevivia disso. Enchíamos um saco de mantimentos. Tinha de tudo, carne, frutas, verduras, arroz, leite e danones. Alimentos que não davam mais para ser vendidos, já vencidos e abertos". Patrícia parou de estudar, mas voltou aos 14 anos. “Passava vergonha na escola por causa do cheiro do lixão. Era meu único sustento". Aos 18 anos, começou a namorar, engravidou e continuou trabalhando no lixão. Na época, foi morar com o pai da criança, mas o relacionamento não deu certo e ela voltou a viver com a mãe, enquanto seguia trabalhando com recicláveis. Mulher que sobreviveu com restos de comida em lixão supera dificuldades e se torna empresária no litoral de SP Arquivo Pessoal Patrícia lembra de um episódio em que passou muita necessidade com o filho. Ela contou que foi ao lixão catar recicláveis para tentar conseguir dinheiro para comprar leite. “Eu fiquei muito aflita e naquele dia achei um pacote de leite aberto pela metade”, disse. Sem condições financeiras para cuidar da criança, Patrícia explicou que precisou deixá-lo com a avó paterna. A mãe era alcoólatra e morreu de cirrose. O irmão entrou nas drogas, chegou a usar crack e sofreu traumatismo craniano. Hoje, está recuperado. Mudança de vida Patrícia saiu do lixão aos 21 anos, quando um vizinho ofereceu emprego em uma padaria. “Aceitei, fiquei muito feliz. Não era um sonho, parecia mais um bar, mas tudo era melhor do que o lixão”, disse. Com o tempo, conseguiu outras oportunidades em lanchonetes e padarias. Ela contou que a vida começou a melhorar e passou a ter outra visão além do lixão. "Até então eu vivia em um mundo fechado". Depois, trabalhou cinco anos no ferro-velho da irmã. Apesar de o filho ter sido entregue à avó paterna, Patrícia afirmou que sempre ajudou a ex-sogra nos cuidados. Casada há 20 anos, teve uma filha e, cansada do ferro-velho, começou a vender coxinhas em feirões de São Vicente. Pouco depois, mudou-se para Praia Grande com o marido. Sonho com bolo Loja que Patrícia abriu na garagem de casa durante a pandemia Arquivo Pessoal Em 2015, Patrícia sonhou que vendia bolo de pote. Sem experiência, buscou receitas no YouTube e começou a produzir. “Peguei receitas e comecei a vender bolo de pote em casa, surgiu as primeiras encomendas, comecei a fazer bolos personalizados e, na pandemia, como não podia ter festas, a venda dos personalizados caiu um pouco”, contou. Ela montou uma loja na garagem e, em 2023, abriu a primeira unidade perto de casa. Recentemente, inaugurou a segunda. Patrícia afirmou que ainda está na fase de regularização, mas destacou: “Às vezes parece que não caiu a ficha que sou uma empresária [...], mas sou uma pessoa que boto a mão na massa, não consigo ficar só na administração”. "Sou muito agradecida a Deus por essa oportunidade que Deus tem me dado, tenho duas casas, não falta nada para minha filha, nem para meu filho", finalizou. Patrícia comemora que hoje tem duas lojas de confeitaria em Praia Grande, mas mulher já trabalhou e comeu restos de alimentos no lixão Arquivo Pessoal VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/01/19/mulher-que-sobreviveu-com-restos-de-comida-em-lixao-se-torna-empresaria-no-litoral-de-sp.ghtml


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