No Rio, terceiro dia de operações contra policiais suspeitos de envolvimento com o crime organizado tem 13 presos
11/03/2026
(Foto: Reprodução) Terceiro dia de operações contra policiais suspeitos de envolvimento com o crime organizado termina com 13 presos, no Rio
No Rio, o terceiro dia de operações contra policiais suspeitos de envolvimento com o crime organizado teve 13 presos.
As mensagens interceptadas mostram até que ponto o crime se infiltrou na polícia e a polícia se misturou com o crime. Em uma delas, traficantes conversam sobre um pedido feito por um major da PM: uma falsa ocorrência para ajudar policiais a baterem metas de apreensão de drogas. O traficante que autoriza a transação é Edgar Alves de Andrade, o Doca – um dos chefes do Comando Vermelho. Ele aparece em outro diálogo planejando a invasão de uma comunidade rival. Um comparsa diz a ele que vai pedir ajuda a um policial militar.
Seis PMs acusados de envolvimento com o crime organizado foram presos nesta quarta-feira (11) na Operação Contenção, que tenta desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho. Facção que, segundo a Polícia Civil do Rio, continua tendo entre seus chefes o traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, preso há quase 30 anos.
No Rio, terceiro dia de operações contra policiais suspeitos de envolvimento com o crime organizado tem 13 presos
Jornal Nacional/ Reprodução
A mulher do traficante e mãe do rapper Oruam, Márcia Nepomuceno, e o sobrinho de Marcinho VP, Landerson Lucas dos Santos, também eram alvos e estão foragidos. O vereador Salvino Oliveira, do PSD, foi preso pelos agentes em casa. A polícia afirma que ele negociou com o traficante Doca para fazer campanha eleitoral na favela da Gardênia, Zona Sudoeste do Rio.
Salvino Oliveira, vereador: Eu entrei na política para mudar a vida das pessoas e eu estou sendo vítima de uma briga política que não é minha.
Repórter: Você tem ligação com o traficante Doca?
Salvino Oliveira: Absolutamente não.
No terceiro dia da Operação Anomalia, a Polícia Federal prendeu outros sete PMs. Eles são suspeitos de fazer a escolta de traficantes e também de vazar informações sigilosas.
A Polícia Militar do Rio declarou que a corregedoria da corporação acompanha as prisões e que não compactua com desvios de conduta.
A defesa de Márcia Nepomuceno disse que ela está viajando e que as acusações são infundadas.
O Jornal Nacional não conseguiu localizar a defesa de Landerson dos Santos.
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