Peixes e nascentes naturais são encontrados em avenida onde passam quase 20 mil veículos por dia em Uberlândia

  • 26/04/2026
(Foto: Reprodução)
Peixes e nascentes são encontrados na Avenida Rondon Pacheco, em Uberlândia Uma nascente a céu aberto chama a atenção de quem passa pela avenida Rondon Pacheco, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. O ponto, cercado por plantas e com pequenos peixes, fica em uma das vias mais movimentadas da cidade, com circulação diária de cerca de 19,2 mil veículos, segundo a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Settran). A presença da nascente no local, no entanto, tem explicação: a avenida foi construída sobre o córrego São Pedro. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Segundo o biólogo Kléber Del Claro, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), o fenômeno é comum no Cerrado. Isso ocorre porque o lençol freático fica próximo da superfície. Com isso, a água pode emergir em alguns pontos e formar nascentes, como a observada na avenida Rondon Pacheco. “Há moradores que têm até nascentes no próprio quintal. Nessas áreas, e também nos bairros como no Jardim Inconfidência, é possível encontrar pequenas lagoas e poçamentos de água formados naturalmente. Nesses locais vivem pequenos peixes muito resistentes, do gênero Phalloceros, que pertencem ao mesmo grupo do lebiste, conhecido peixe de aquário”, ressaltou o biólogo. Além de peixes, essas áreas também abrigam ninfas, libélulas, larvas e outros insetos aquáticos, além de girinos. Natureza resiliente peixes rondon pacheco uberlândia Reprodução/JF imagens Apesar de pequenas, nascentes com grande diversidade de espécies, como a da avenida Rondon Pacheco, mostram a capacidade de a natureza resistir à ação humana, segundo o biólogo Kléber Del Claro. “É algo bonito e triste de se ver: esses pequenos animais vivendo de forma tão precária em um ambiente que antes era naturalmente deles. A área, que originalmente era uma vereda, nunca deveria ter deixado de ser assim. Por isso, construir uma via nesse tipo de terreno acaba trazendo consequências, como os alagamentos que ocorrem todos os anos na Rondon Pacheco”, explicou o biólogo. A presença de peixes também contribui para a resistência da natureza nesses locais. Segundo o veterinário André Schlemper, essas espécies são bastante resistentes. Elas podem viver em água salobra, que é a mistura de água doce com a do mar, e também em ambientes poluídos ou com pouco oxigênio. Na prática, são poucos os locais onde esses peixes não conseguem sobreviver. “Uma característica que possuem diferente da maioria dos peixes é que, em vez de colocarem ovos, eles dão à luz aos filhotes já formados. Por isso, são classificados como peixes vivíparos, ou seja, não nascem de ovos”, explicou o veterinário. De onde os peixes vieram? Para entender a origem dos peixes do gênero Phalloceros, é preciso voltar ao passado. Segundo o veterinário André Schlemper, as espécies encontradas nas nascentes da avenida Rondon Pacheco podem estar no local desde as décadas de 1960 e 1970. Na época, houve uma ampla distribuição desses peixes para o controle de mosquitos. Já no início dos anos 2000, uma nova distribuição foi realizada com o mesmo objetivo. “Hoje já se sabe que não são tão eficientes nessa função, pois se alimentam de muitas outras fontes além das larvas de mosquitos, e também por serem espécies invasoras ambientais muito impactantes, devido à sua altíssima velocidade de reprodução, o que faz com que compitam com espécies nativas de mesmo porte nos locais onde são introduzidas”, ressaltou André. Outra hipótese é que os peixes tenham sido soltos por moradores. Isso porque são espécies comuns em aquários, usadas tanto como ornamentais quanto como alimento para peixes predadores. LEIA TAMBÉM: Homem reage, tenta soltar canários em cativeiro e é preso VÍDEO: após furtar contrafilé de R$ 62, homem paga fiança de R$ 1,6 mil Motoboy desaparece com videogame durante entrega por aplicativo Os peixes podem ser levados para casa? Especialistas orientam que a população não leve esses peixes para casa. Apesar de não haver registro de doenças graves transmitidas apenas pelo contato, a recomendação é evitar o manuseio. O consumo também não é indicado, assim como a colocação dos animais em aquários. Isso porque eles podem ter sido expostos a substâncias químicas e ainda carregar parasitas, o que pode contaminar outros peixes. O g1 questionou a Prefeitura Municipal de Uberlândia sobre o conhecimento e possíveis medidas adotadas em relação a esses peixes e nascentes ao longo da avenida Rondon Pacheco. Segundo a Prefeitura, essas medidas são de responsabilidade da Unidade Regional de Gestão das Águas Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (Igam). Em contato com o Igam, o órgão respondeu que realiza medidas de preservação no local, porém não detalhou quais são elas e como são executadas. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também foi procurado para comentar sobre, e informou que o cuidado das nascentes é de responsabilidade da Prefeitura. VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2026/04/26/peixes-e-nascentes-naturais-sao-encontrados-em-avenida-onde-passam-quase-20-mil-veiculos-por-dia-em-uberlandia.ghtml


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