PM do ES usa apenas 200 câmeras corporais; execução de casal em Cariacica reforça importância das imagens

  • 22/04/2026
(Foto: Reprodução)
Policial do Espírito Santo com câmera na farda Reprodução/TV Gazeta Em algumas ocorrências, imagens têm papel decisivo nas investigações e são peças-chave para ajudar a esclarecer os casos e dar transparência à atuação policial. No Espírito Santo, no entanto, o uso de câmeras corporais por agentes de segurança ainda é limitado. Atualmente, apenas 200 equipamentos são utilizados pela Polícia Militar. O número representa uma pequena parcela do efetivo da PM capixaba, que atualmente tem cerca de 9 mil policiais e está concentrado em atividades operacionais. Outros 50 equipamentos estão divididos entre as polícias Civil e Científica. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp A possibilidade de uso do equipamento ganhou destaque após o caso do casal de mulheres mortas pelo policial militar Luiz Gustavo Xavier do Vale, em Cariacica, na Grande Vitória, no dia 8 de abril. Imagens de câmeras de segurança de duas residências foram fundamentais para esclarecer a dinâmica do crime, tanto em relação à ação do cabo do Vale, como sobre a conduta dos outros seis agentes que estavam no local e não agiram no momento dos disparos. Inclusive, o relato de policiais sobre execução de mulheres, registrado no Boletim de Ocorrência, diverge do que mostram as imagens divulgadas. E elas podem ajudar nas investigações. O policial militar Luiz Gustavo Xavier do Vale é investigado pelas mortes de Daniele Toneto e Francisca Chaguiana Dias Viana, em Cariacica Reprodução O uso de câmeras, no entanto, deve ganhar escala nos próximos meses. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) informou que está em andamento uma licitação para contratar até 4,8 mil equipamentos, ao custo máximo de R$ 750 por câmera. A licitação está em andamento e a previsão é que, até o fim do ano, os equipamentos estejam em utilização pelas forças policiais. Segundo o professor e mestre em Segurança Pública Henrique Herkenhoff, no caso do casal de mulheres assassinado em Cariacica, caso os policiais envolvidos estivessem utilizando o equipamento, seria mais fácil entender o comportamento individual de cada um deles, inclusive antes do momento do crime. "Quanto mais imagens e gravações de sons nós tivéssemos sobre o episódio, mais fácil seria apurar o que cada um fez ou deixou de fazer. Conversas anteriores e posteriores. É mais fácil avaliar o caso com registros do que com testemunhas", explicou. MAIS SOBRE O CASO: Casal de mulheres ligou para a polícia minutos antes de ser executado por PM no ES Execução de casal de mulheres por PM pode ter sido motivada por discussão sobre ar-condicionado Irmã de uma das mulheres executadas por PM no ES desabafa: 'O policial matou e ainda teve plateia' 'A gente espera isso de bandido, não de um policial', diz irmã de uma das mulheres executadas por PM no ES Justiça suspende seis policiais militares que presenciaram execução de casal no ES e não fizeram nada Para o especialista, no entanto, uma maneira ainda mais eficiente, barata e menos polêmica de documentar as atitudes policiais é a instalação de câmeras nas viaturas. Segundo Herkenhoff, elas têm ângulos melhores e não constrangem os agentes que se sentem com a privacidade invadida com os equipamentos nas fardas. O governo do estado estuda também a possibilidade de integrar os dispositivos a outros sistemas já existentes, como o de reconhecimento facial e o cerco eletrônico, para auxiliar na identificação de criminosos. Câmeras nas fardas dos policiais do Espírito Santo possuem GPS, registram a hora e local da gravação e o número de identificação do policial Reprodução/TV Gazeta Como as câmeras funcionam O uso das câmeras corporais pela PM no estado começou por meio de um projeto piloto, que testou os equipamentos e definiu regras de utilização. Segundo a Sesp, cabe ao próprio policial acionar a gravação de ocorrências em andamento. O Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciodes) também pode iniciar o registro remotamente. Os equipamentos são individuais e têm bateria suficiente para todo o turno de trabalho. Hoje, são utilizados por policiais do Batalhão de Trânsito e da 12ª Companhia Independente de Jardim Camburi, em atividades operacionais. Pelas regras atuais, as imagens ficam armazenadas por, no mínimo, 90 dias. Em casos específicos, como ocorrências com morte, uso de arma de fogo ou quando o material integra investigações, o prazo pode chegar a um ano. Polícia Penal já usa câmeras em larga escala A utilização de câmeras corporais já é mais consolidada entre policiais penais no Espírito Santo. Desde 2023, a categoria adota o recurso, que foi ampliado em 2025 com a aquisição de novos equipamentos. Atualmente, são cerca de 1.100 câmeras em operação nas unidades prisionais do estado, cobrindo o efetivo diário e setores como escolta e operações táticas. Os equipamentos registram áudio e vídeo em alta definição, com até 14 horas de gravação contínua, e permitem transmissão ao vivo de ocorrências. As imagens são armazenadas automaticamente em sistema central, sem acesso direto pelos usuários. O uso das câmeras ocorre em diversas situações, como escoltas, revistas, movimentação de presos, atendimentos e controle de acesso às unidades. Segundo a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus), a tecnologia ajuda a reduzir conflitos, aumentar a segurança dos agentes e dar mais transparência às ações. As imagens também são preservadas por até um ano quando vinculadas a ocorrências ou investigações, seguindo normas do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Infográfico - onde foi a execução do casal de mulheres no Espírito Santo Arte/g1 Entenda o caso do casal morto em Cariacica O crime aconteceu no dia 8 de abril, no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, na Grande Vitória. De acordo com a apuração, a ex-mulher do militar ligou para ele relatando uma discussão com o casal e dizendo que o filho dos dois também estaria envolvido na situação. Testemunhas contaram que as duas vítimas e a ex-esposa do policial moravam em andares diferentes. Segundo moradores, a ex-companheira do agente foi ameaçada pelo casal horas antes do crime. Ainda de acordo com testemunhas, a discussão começou por causa de um ar-condicionado. As mulheres trocavam acusações sobre um possível furto de energia, apesar de residirem em andares distintos. Na manhã de quarta (8), elas voltaram a discutir, e as vítimas teriam mencionado o filho que a ex-esposa do PM tem com ele. A ex-mulher do policial, que não quis se identificar, deu entrevista e apresentou a versão dela sobre o que aconteceu. "Elas testaram o meu limite, falando do meu filho de 8 anos, autista. Falaram que ele não seria autista, p**** nenhuma, porque ele estava jogando bola até altas horas da noite. Eu desci com uma faca. Nisso, juntaram as duas em cima de mim, me jogaram no muro, me bateram, puxaram o meu cabelo, quebraram a minha unha. A vizinha de baixo conseguiu separar a briga", disse a ex-esposa do PM. Novo vídeo mostra momento em que policial militar chega e atira em casal de mulheres, no dia 8 de abril, em Cariacica, Espírito Santo Reprodução/Rede social Segundo a mulher, foi nesse momento que ela decidiu ligar para o cabo do Vale. "Eu falei que não ia mais agir com as minhas mãos. Liguei para o meu ex-marido e pedi duas viaturas, porque elas estavam me agredindo e agredindo o nosso filho, que estava chorando dentro de casa. Então, ele veio", contou. Após a ligação, o cabo Xavier deixou o posto onde atuava em função administrativa e foi até o endereço acompanhado de outros policiais. Após a ligação, o cabo deixou o posto onde atuava em função administrativa e foi até o endereço acompanhado de outros policiais. Testemunhas relataram que houve uma discussão antes dos disparos. Daniele morreu no local. Francisca chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Após o crime, o policial foi preso. Pedido de demissão do PM que realizou disparos O cabo do Vale foi autuado por duplo homicídio e está preso desde o dia do crime, no Presídio Militar, que fica no quartel de Maruípe, em Vitória, sem previsão de liberação. A Polícia Militar do Espírito Santo abriu um processo demissionário contra o policial. A informação foi confirmada pelo comandante-geral da PM, coronel Ríodo Lopes Rubim. “Já determinei a abertura do processo demissionário para o cabo do Vale, porque ele feriu a honra da instituição, o decoro, coisa com a qual nós não coadunamos. Nós saímos diariamente às ruas para proteger e servir as pessoas, então já está instaurado esse procedimento”, disse. Cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, de 46 anos, está há 18 anos na Polícia Militar e responde a casos com mortes, tiros em suspeitos e denúncias por lesão corporal grave. Espírito Santo Reprodução Segundo o coronel, o prazo para a conclusão do inquérito militar é de 20 dias. No entanto, não houve precisão em relação ao período para a conclusão do processo demissionário. Procurada, a Associação das Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (ASPRA-ES) informou que o policial militar Luiz Gustavo Xavier do Vale não é associado. Foi disponibilizado um advogado para atender o cabo, mas depois ele seguiu com advogado particular. Policiais suspensos A Justiça do Espírito Santo determinou a suspensão dos seis policiais militares que estavam presentes no momento em que o cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale executou um casal de mulheres no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, na Grande Vitória. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (16), após pedido feito pelo Ministério Público do Estado (MPES). Segundo o órgão, o afastamento preliminar não implica corte de salário, medida que só pode ocorrer em caso de condenação, após o pleno direito de defesa garantido pela Constituição. Os policiais já haviam sido afastados das ruas e foram deslocados para função administrativa no dia 14 de abril. Eles também tiveram o porte de arma suspenso, medida que permanece valendo com a decisão da suspensão. Agora, os policiais estarão afastados de todas as atividades. A decisão é da Vara da Auditoria Militar, da Justiça Estadual do Espírito Santo, responsável por julgar casos de crimes cometidos por policiais militares no estado. A medida é preventiva e tem como objetivo garantir o andamento das investigações sem interferências, além de preservar a ordem pública. Policiais envolvidos na execução de casal de mulheres em Cariacica, Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta O g1 teve acesso aos nomes dos policiais suspensos, são eles: Edson Luiz da Silva Verona - soldado Eduardo Ferro Coradini - soldado Filipe Gonçalves Vieira - soldado Hilario Antônio Nunes - cabo Lucas Nogueira Oliveira - aluno soldado Valfril do Carmo Carreiro - 3º sargento O g1 não conseguiu contato com as defesas dos citados. A Polícia Militar foi procurada para falar sobre a situação dos militares depois da decisão da suspensão e não houve retorno. Imagens influenciaram pedido de suspensão Imagens de câmeras de segurança que passaram a circular nesta semana mostram que os agentes suspensos não reagiram nem tentaram impedir a ação do colega, no momento dos disparos. A versão apresentada por policiais militares no boletim de ocorrência sobre a execução do casal divergiu, em pontos importantes, do que mostram as imagens de uma câmera de segurança no local do crime. Confira as diferenças ponto a ponto. A repercussão do caso levou o governador do estado, Ricardo Ferraço (MDB), a se manifestar favorável ao afastamento dos policiais. A Polícia Militar, por meio da Corregedoria, solicitou à Justiça a adoção das medidas cautelares. Novo vídeo mostra momento em que policial militar atira em casal de mulheres em Cariacica Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

FONTE: https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2026/04/22/pm-do-es-usa-apenas-200-cameras-corporais-execucao-de-casal-em-cariacica-reforca-importancia-das-imagens.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Desejo Imortal

Gusttavo Lima

top2
2. Oi Balde

Zé Neto e Cristiano

top3
3. Nosso Quadro

Ana Castela

top4
4. Anti-Hero

Taylor Swift

top5
5. Hold Me Closer

Elton John feat. Britney Spears

Anunciantes