Prejuízo dos Correios triplica em 2025 e fica em R$ 8,5 bilhões
23/04/2026
(Foto: Reprodução) Correios divulgam balanço de 2025
Os Correios, que passam por uma crise sem precedentes, divulgaram o balanço de 2025. O prejuízo da empresa mais que triplicou: ficou em R$ 8,5 bilhões.
Com o resultado anunciado nesta quinta-feira (23), os Correios acumulam 14 trimestres seguidos de rombo nas contas. São quatro anos seguidos de prejuízo. Em 2023, o déficit até caiu um pouco. Mas em 2024 voltou a piorar, passando de R$ 2,5 bilhões.
Em 2025, o déficit mais que triplicou: R$ 8,5 bilhões. Segundo a estatal, a principal despesa em 2025 foi o pagamento de precatórios - ordens de pagamento por causa de decisões judiciais sem possibilidade de recurso - quase R$ 6,5 bilhões. A receita bruta da empresa foi de R$ 17 bilhões, uma queda de 11% em relação ao ano anterior.
Ao anunciar os resultados, o presidente dos Correios falou sobre as dificuldades da estatal, com queda nas receitas, aumento das despesas com ações judiciais e pagamento de juros por empréstimos feitos para reforçar o caixa da empresa.
“É um ciclo vicioso. A empresa teve dificuldade de caixa. A dificuldade de caixa gera dificuldade de pagamento a fornecedores, isso afeta a operação. Ao afetar a operação, a gente macula a capacidade de aumentar volume ou de gerar novos contratos. A despesa geral não para. Por mais que a gente tenha dificuldade de receita, como a gente tem uma estrutura de custo muito rígida - ela está bem ancorada em custos que têm características de custos fixos -, quando a gente tem uma queda de receita, a gente não consegue diminuir a despesa no mesmo momento para poder fazer esse equacionamento”, diz Emmanoel Schmidt Rondon, presidente dos Correios.
Prejuízo dos Correios triplica em 2025 e fica em R$ 8,5 bilhões
Jornal Nacional/ Reprodução
Junto com os resultados financeiros de 2025, os Correios fizeram um balanço do plano de reestruturação pensado para tentar tirar a empresa da crise. O resultado parcial está abaixo do projetado. O plano de demissão voluntária teve a adesão de 3.181 funcionários. Os Correios esperavam que 10 mil trabalhadores entrassem no PDV. Até agora, a estatal arrecadou R$ 11 milhões com a venda de 11 imóveis. A empresa espera arrecadar R$ 1,5 bilhão com esses leilões.
No fim de 2025, os Correios conseguiram um empréstimo de R$ 12 bilhões com bancos públicos e privados. O aporte foi usado para cobrir parte dos altos gastos com as despesas, e não para reduzi-las, além de aumentar a liquidez da estatal. O contrato tem garantia do Tesouro Nacional. Ou seja, é o governo federal que vai pagar com dinheiro público as parcelas do empréstimo caso os Correios não consigam.
Economistas afirmam que o plano de recuperação não está sendo suficiente para dar sustentabilidade aos Correios.
“O programa de demissão voluntária é bem repetido e conhecido caminho para tentar resolver, porque pressiona as pessoas para se demitirem, e isso tende, obviamente, a reduzir as despesas. Como essa, tem outras soluções que aparecem. Mas o fato concreto é que o que nós sempre temos é que falta dinheiro, e a qualidade do serviço naturalmente se deteriora bastante”, diz Raul Veloso, presidente do Fórum Nacional do INAE.
“A empresa vai se deteriorando muito rapidamente e isso significa que o valor dela cai. Digamos que a alternativa seja privatizar: se você privatizasse um ano atrás, conseguiria um valor maior do que hoje. Se você só privatizar daqui a um ano, vai vendê-la muito mais barato. Porque, à medida que o tempo passa, ela desvaloriza por conta desse prejuízo todo”, afirma Paulo Feldmann, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP.
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