Projeto de pesquisadores da UERR que usa IA para reduzir gastos públicos é apresentado nos EUA
01/04/2026
(Foto: Reprodução) Projeto de pesquisadores da UERR que usa IA para reduzir gastos públicos é apresentado nos
O projeto de um aplicativo que usa inteligência artificial (IA) para reduzir gastos públicos, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Estadual de Roraima (UERR), foi apresentado durante a Brazil Conference, evento internacional que ocorre anualmente nos campi da Universidade Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.
Batizado de ComprasMatch, o aplicativo ainda é um protótipo. O trabalho é uma criação do professor do curso de Ciências da Computação da UERR, Tiago Mendonça Lobo com o estudante Guilherme César Benevides. O evento nos EUA ocorreu entre os dias 27, 28 e 29 de março.
🤖A ideia é ser um aplicativo que usa inteligência artificial para identificar demandas semelhantes de compra entre diferentes órgãos públicos e permitir que elas sejam unificadas. Ao cruzar dados de contratos e editais, a ferramenta encontra produtos iguais ou parecidos que estão sendo adquiridos separadamente e sugere a realização de compras conjuntas. Com isso, aumenta o poder de negociação, reduz custos e torna o processo mais eficiente.
O projeto foi apresentado nos Estados Unidos após ser selecionado pelo programa AI4Good, uma das iniciativas da Brazil Conference. O evento existe desde 2015 e reúne intelectuais, pesquisadores e representantes do meio cultural para debater soluções para problemas sociais, culturais e educacionais no Brasil.
Processo competitivo
Até ser selecionado, o projeto passou por um processo competitivo com 188 propostas voltadas a soluções com uso de inteligência artificial no programa AI4Good. Dessas, apenas oito equipes avançaram para a etapa final. Entre elas, três projetos foram escolhidos para participar do evento nos Estados Unidos, incluindo o ComprasMatch.
Nos EUA, o projeto foi apresentado pelo acadêmico Guilherme. Após a experiência, ele disse que a conquista mostra que, com dedicação e iniciativa, qualquer estudante pode alcançar oportunidades internacionais.
"Não é magia, não precisa ser alguém super especial, superdotados. Eu mesmo não sou o melhor estudante do Brasil e cheguei aqui. Então, realmente, é só acreditar, dar início ao processo, dar o primeiro passo, que você consegue. A pessoa com força suficiente consegue chegar aqui e ter toda essa oportunidade", disse.
Futuro real do projeto
O desenvolvimento do ComprasMatch começou em setembro de 2025. Inicialmente, segundo o professor Tiago, a intenção era fazer um estudo. No entanto, com o tempo, o projeto evoluiu e ganhou potencial para uso prático.
"Hoje, o ComprasMatch ainda é um protótipo funcional. Nenhum órgão utiliza a ferramenta, mas existem conversas em andamento com entidades públicas. A ferramenta já funciona como um sistema de consulta. Ela consome dados reais, identifica similaridades e demonstra resultados. Porém, ainda necessita de algumas adaptações para uso oficial", disse o professor.
Passo-a-passo do funcionamento do ComprasMatch
Reprodução/UERR
Além disso, ele afirmou que, caso o aplicativo se torne realidade, a economia em compras públicas pode ser estimada entre 40% e 50% nos gastos totais, com mais eficiência e menos burocracia. Ele também destacou que a projeção internacional no EUA despertou o interesse de outros alunos para a pesquisa universitária.
"Isso mostra que é possível fazer pesquisa de qualidade aqui em Roraima. Percebemos que outros alunos começaram a se interessar mais por pesquisa. Eles não querem só estagiar, querem desenvolver projetos, isso também fortalece a nossa universidade e mostra que conseguimos gerar resultados relevantes", destacou o professor.
A ida do estudante para a conferência nos EUA teve todas as despesas custeadas pelo organizadores do evento. O trabalho está diretamente vinculado ao projeto institucional de pesquisa e extensão: "Inovação com Inteligência Artificial na Fronteira: Aplicações Práticas e Análise de Dados para os Desafios da Região Norte".
Agora, com a experiência, Guilherme compartilha perspectivas positivas sobre o projeto, mas ressalta que o ComprasMatch ainda é um “futuro próximo”.
"Acredito que o futuro real do projeto, o objetivo final que temos como equipe, é realmente integrar o ComprasMatch para os órgãos brasileiros."
O professor Tiago Lobo e o Acadêmico Guilherme César.
Reprodução/UERR
O estudante Guilherme César Benevides em apresentação do projeto ComprasMatch no MIT, em Cambridge, Massachussets.
Guilherme César Benevides/Arquivo Pessoal
*Estagiário sob supervisão e edição de Valéria Oliveira
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