Registros de casos de ódio contra mulheres dispararam de forma alarmante nos últimos anos

  • 10/03/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia Federal investiga vídeos em redes sociais que incitam violência contra mulheres A Polícia Federal está investigando redes sociais que incitam a violência contra as mulheres. O "não" de uma mulher não se discute. E quando é desrespeitado, vira crime. Maria Neuzete Batista é recepcionista de um hotel em Curitiba. Ela foi assediada por um hóspede. Disse não. Em troca, apanhou até desmaiar. "Aquilo foi uma cena de horror. Estou me sentindo um lixo, porque a defesa dele alega que foi um simples ponto casual. Eu não quis dar um beijo nele, porque eu simplesmente estava no meu trabalho. Eu pedi: 'Senhor, aqui não pode beber, não pode beber na recepção'. Ele faz isso comigo", conta Maria Neuzete. O agressor foi identificado como Jhonathan Reynaldo dos Santos. Ele tem 24 anos e foi preso em flagrante. "Esse homem ia matar ela, sem dúvida alguma, ia matar ela. E essa morte aconteceria por um único fato: ela é mulher e ele foi rejeitado por ela”, afirma Jackson Bahls, advogado da vítima. Os registros de casos de ódio contra mulheres dispararam de forma alarmante nos últimos anos. Esse tipo de violência encontra nas redes sociais um território livre para se alastrar. É o que mostram pesquisas de duas importantes instituições do país. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas revela que, só em uma plataforma, o Telegram, tem 200 mil usuários em grupos que estimulam a violência contra mulheres. Essas comunidades cresceram 600 vezes da pandemia para cá. "A lógica aqui é dizer: nós, homens, estamos sendo oprimidos, agredidos por essa sociedade que quer favorizar as mulheres. São homens que não conseguem se encontrar nesse contexto de emancipação das mulheres, de empoderamento, de exercício de liberdade, e entendem qualquer limite, qualquer 'não' como uma agressão contra eles”, afirma Julie Ricard, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas. Os pesquisadores do NetLab, laboratório de estudos digitais da Universidade Federal do Rio, voltaram os olhos para o YouTube. Nove em cada dez canais que propagam ódio, desprezo, aversão ou controle sobre as mulheres permanecem no ar mesmo depois de terem sido identificados, e acumulam 23 milhões de inscritos - um crescimento de 18%. "A misoginia também precisa ser criminalizada. Então, essa é uma lacuna. A única lei sobre misoginia no Brasil é a Lei Lola, que é uma lei de 2018, que atribui à Polícia Federal a responsabilidade de investigar crimes de disseminação de discursos de ódio contra mulheres em ambientes digitais”, diz Luciane Belin, pesquisadora do NetLab/UFRJ. Registros de casos de ódio contra mulheres dispararam de forma alarmante nos últimos anos Jornal Nacional/ Reprodução O caso mais recente investigado pela Polícia Federal diz respeito a vídeos que viralizaram nas redes sociais. As publicações ganharam a legenda "treinando caso ela diga não" e mostram jovens simulando chutes, socos e facadas em objetos usados para representar mulheres. Os vídeos tiveram origem em quatro perfis do TikTok, que acabaram removidos da plataforma. A mulher que sofreu violência apenas por dizer "não" exige justiça: "Eu lutei pela minha vida. Só porque eu não deixei uma pessoa... Eu disse não. Então, eu sou obrigada a pessoa chegar e me assediar e eu aceitar para não morrer?", pergunta Maria Neuzete Batista. A defesa de Jhonathan Reynaldo dos Santos, que agrediu a recepcionista em Curitiba, disse que só vai se manifestar nos autos do processo. O TikTok afirmou que retirou os conteúdos do ar assim que recebeu as primeiras denúncias e que a prioridade é manter a comunidade segura e protegida. O YouTube disse que discursos de ódio, assédio e cyberbullying não são permitidos na plataforma e que aplica com rigor políticas de conteúdo. O Telegram não respondeu aos questionamentos do Jornal Nacional. LEIA TAMBÉM 90% dos canais com discurso misógino mapeados pela UFRJ em 2024 seguem ativos no YouTube 'Treinando caso ela diga não': vídeos no TikTok simulam agressões a mulheres em meio a escalada de violência e recorde de feminicídios

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/03/10/registros-de-casos-de-odio-contra-mulheres-dispararam-de-forma-alarmante-nos-ultimos-anos.ghtml


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