São José do Egito é reconhecida como 'Capital Pernambucana da Poesia'

  • 06/03/2026
(Foto: Reprodução)
São José do Egito torna-se a 'Capital Pernambucana da Poesia' Reprodução/TV Asa Branca A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) concedeu ao município de São José do Egito, no Sertão, o título honorífico de Capital Pernambucana da Poesia. O titulo reconhece a importância histórica da cidade na preservação e na difusão da poesia popular ao formar gerações de poetas e repentistas que mantêm viva a tradição da poesia oral. A solenidade ocorrida em 23 de fevereiro foi proposta pelo deputado Gustavo Gouveia (Solidariedade), reunindo parlamentares, autoridades, poetas e repentistas. ✅ Receba as notícias do g1 Caruaru e região no seu WhatsApp Veja os vídeos que estão em alta no g1 Conhecida nacionalmente como Terra da Poesia, São José do Egito construiu sua identidade cultural a partir da cantoria de viola, do repentismo e da literatura popular. Na cidade, versos e rimas fazem parte do cotidiano dos moradores e aparecem em monumentos, espaços públicos e manifestações culturais. Um dos locais mais conhecidos é o Beco de Laura, no centro histórico, onde mais de 50 versos de poetas e poetisas locais estão pintados nas paredes. O espaço se tornou um ponto de referência cultural e turístico, reunindo visitantes e moradores interessados na tradição poética da cidade. A presença da poesia também chegou às salas de aula. Desde 2014, a poesia popular faz parte da grade curricular da rede municipal de ensino. A disciplina é ofertada para estudantes a partir do sexto ano do ensino fundamental. Segundo o historiador Danilo Leite, a iniciativa foi um passo importante para manter viva a tradição poética entre as novas gerações. “Um acontecimento importantíssimo para essa manutenção da poesia foi exatamente a instalação da disciplina na grade curricular. É a primeira cidade a ter essa disciplina”, afirmou em entrevista à TV Asa Branca. A história da poesia em São José do Egito também está ligada a nomes importantes da cantoria nordestina. Um dos pioneiros foi o repentista Antônio Marinho do Nascimento (1887 - 1940), considerado um dos responsáveis por projetar o nome da cidade no cenário da poesia popular. O bisneto do poeta, que também se chama Antônio Marinho do Nascimento, afirmou em entrevista à TV Asa Branca, que o bisavô foi o primeiro cantador a associar o município à tradição poética. “Foi o primeiro repentista que fez com que outras terras começassem a associar São José com a poesia”, afirmou. Segundo ele, ainda antes da emancipação do município, a presença de Antônio Marinho nas cantorias já fazia com que outras regiões identificassem a cidade como um lugar de poetas. A tradição continuou nas gerações seguintes da família. O avô de Antônio Marinho, Lourival Batista, conhecido como Louro do Pajeú, também se tornou um dos grandes nomes da cantoria nordestina e ajudou a consolidar a reputação poética do município. A ligação entre as duas linhagens de cantadores começou quando Louro do Pajeú se casou com Helena Marinho, filha primogênita de Antônio Marinho. “Helena era filha de Marinho e se casou com Louro. A partir disso nasce a nossa família trazendo a cantoria e a poesia dos dois lados. De um lado Helena com Marinho, do outro lado Louro. E aí vêm os filhos, os netos e as novas gerações”, contou Antônio Marinho. A casa onde Louro do Pajeú viveu com Helena Marinho se tornou um importante ponto de encontro de poetas da região. No local, cantadores costumavam se reunir para apresentações e encontros culturais. O médico veterinário Antônio José de Lima, genro de Louro do Pajeú, lembra que a residência costumava receber visitantes de várias partes do Nordeste interessados em conhecer o poeta. “Tanto Louro como Dona Helena eram pessoas muito solícitas e acolhiam todo mundo. Uma pessoa vinha de longe para conhecer Lourival Batista ou cantar com ele e era muito bem recebida. Essa casa ficava pequena para caber o povo”, disse à TV Asa Branca. O espaço onde esses encontros aconteciam continua de pé e permanece sob os cuidados da família. Atualmente, o local abriga o Instituto Lourival Batista, dedicado à preservação da memória da cantoria e da poesia popular. O instituto reúne objetos pessoais, fotografias e registros históricos ligados à trajetória do poeta e à tradição cultural da cidade. Além disso, também promove encontros culturais e projetos voltados à valorização da poesia. Segundo a Secretaria de Cultura do município, festivais de violeiros e projetos culturais continuam sendo realizados na cidade para fortalecer a tradição poética, considerada uma das mais importantes do Sertão nordestino.

FONTE: https://g1.globo.com/pe/caruaru-regiao/noticia/2026/03/06/sao-jose-do-egito-e-reconhecida-como-capital-pernambucana-da-poesia.ghtml


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