Secretaria aponta falhas em atendimento a criança de 2 anos que morreu em Limeira e envia relatório a MP e Cremesp
23/01/2026
(Foto: Reprodução) Paço Municipal de Limeira
Arquivo/ Secretaria de Comunicação de Limeira
A Prefeitura de Limeira (SP) afirmou, nesta sexta-feira (23), que identificou falhas no atendimento de saúde prestado a Théo Benício Vantini de Azevedo, de 2 anos, que morreu após a passagem pelo Hospital Hapvida.
A prefeitura informou que produziu um relatório que aponta falhas em prontuários, ausência de exames e falta de reavaliação médica antes da morte de Théo Benício Vantini de Azevedo. Segundo a Vigilância Sanitária de Limeira, o Hospital Hapvida foi autuado por irregularidades.
O hospital particular comunicou que o paciente foi atendido conforme o quadro clínico apresentado nas duas passagens pelo pronto-socorro, tendo recebido avaliação médica, exames e medicação de acordo com os protocolos clínicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde para pacientes pediátricos. Veja nota na íntegra ao final da reportagem.
O Conselho Regional Medicina Estado São Paulo (Cremesp) afirmou que investiga o caso. Já o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) informou que, até o momento, não recebeu a documentação da prefeitura.
Siga o g1 Piracicaba no Instagram
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Infecção bacteriana grave
No dia 30 de setembro de 2025, o menino Théo chegou sem vida ao Pronto Atendimento Municipal do bairro Aeroporto, informou a prefeitura. No mesmo dia, a criança havia recebido alta duas vezes do Hospital Hapvida de Limeira.
A pasta de Saúde informou que o exame realizado pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO) de Limeira apontou que a causa da morte foi uma infecção bacteriana grave, com comprometimento dos pulmões e infecção generalizada.
Relatório aponta falhas
Segundo a secretaria de Saúde de Limeira, o relatório final apontou que os registros médicos da Hapvida apresentam falhas importantes, como:
informações descritas no prontuário não condizem com os sinais apresentados pela criança;
não houve registro de reavaliações médicas antes da alta;
houve ausência de exames básicos, como radiografia, que poderiam ajudar a identificar a gravidade da infecção;
houve falta de encaminhamento para internação hospitalar, apesar da piora clínica relatada pela família;
não houve registro de suspeita de infecção generalizada;
criança tinha batimentos cardíacos acima do normal para a idade.
“Constam registros de frequência cardíaca de até 181 bpm, reduzindo para 154 bpm após intervenção. Ambos os valores caracterizam taquicardia importante para a faixa etária, configurando sinal fisiológico objetivo de gravidade”, aponta o relatório.
"Não se identificou solicitação de exames laboratoriais básicos (tais como hemograma completo, PCR e outros) durante o segundo atendimento, apesar dos sinais clínicos sugestivos de possível evolução infecciosa sistêmica. Tais exames poderiam nortear melhor o diagnóstico e tratamento do menor, e, teriam dado possibilidade de intervenção assertiva no quadro séptico instalado”, destaca o relatório.
Como a investigação foi feita
Segundo Limeira, a investigação foi realizada a partir da análise de prontuários médicos, exames laboratoriais, laudos oficiais e relatórios das áreas de Vigilância Sanitária, Vigilância Epidemiológica, SVO e a Auditoria Municipal em Saúde.
Hospital com irregularidades
O hospital responsável pelos atendimentos foi autuado por irregularidades, apontou a Vigilância Sanitária do município. A autuação foi decorrente de:
não comunicação de um caso positivo de Influenza A;
demora ou ausência na entrega de documentos solicitados para a investigação;
falta de registros para comprovar o cumprimento de protocolos de segurança e a atuação de profissional no caso sem especialização em pediatria.
Segundo a Secretaria de Saúde, as falhas identificadas dificultaram o acompanhamento adequado do atendimento prestado e ferem normas sanitárias e éticas que regulam os serviços de saúde.
O g1 contatou o Ministério Público (MP-SP), o Conselho Regional de Medicina (Cremesp) e a Câmara Municipal para saber se receberam a denúncia e se investigarão, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.
A reportagem pediu acesso ao relatório na íntegra realizado pela Secretaria de Saúde de Limeira, mas a pasta informou que não pode divulgá-lo.
O que diz o Hapvida
Confira, abaixo, a nota do Hospital Hapvida de Limeira na íntegra:
“O hospital manifesta profunda solidariedade à família do paciente T.B.V.A., expressando seus mais sinceros sentimentos e reafirmando seu compromisso com o cuidado, a responsabilidade e a ética na assistência prestada.
O paciente foi atendido conforme o quadro clínico apresentado nas duas passagens pelo pronto-socorro, tendo recebido avaliação médica, exames e medicação de acordo com os protocolos clínicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde para pacientes pediátricos. À época dos atendimentos, o exame físico e os sinais vitais registrados indicavam condições compatíveis com alta segura, segundo critérios médicos reconhecidos.
As equipes médica e de enfermagem conduziram o atendimento de forma segura e aderente às boas práticas assistenciais, com avaliação individualizada e conduta adequada ao quadro apresentado.
O hospital informa que foi oficialmente notificado pelos órgãos competentes e que prestará todos os esclarecimentos necessários dentro dos prazos estabelecidos, colocando-se à disposição das autoridades para colaborar integralmente com as apurações.
A empresa permanece à disposição da família para esclarecimentos e reforça seu compromisso contínuo com o respeito, a assistência qualificada e a segurança de seus pacientes.”
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba