Sobrevivente de tentativa de femicídio deixa hospital com cicatrizes no rosto: 'Não consigo me olhar no espelho'
01/01/2026
(Foto: Reprodução) Mulher sobrevivente de tentativa de feminicídio tem rosto marcado por cicatrizes
"Eu já me sinto monstro, entendeu? Eu me sinto muito feia", desabafa Brenna Araújo de Brito, de 36 anos, ao descrever a dificuldade de encarar o próprio reflexo. Após 24 dias de internação no Hospital Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, a sobrevivente de uma violenta tentativa de feminicídio recebeu alta hospitalar nesta semana.
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A agressão, cometida pelo ex-companheiro com um martelo, fraturou seu maxilar, testa e nariz, deixou mais de 60 pontos na cabeça e no rosto e arrancou seus dentes. "Não consego mais me olhar no espelho, porque quando eu passo pelo espelho, eu já abaixo a cabeça", relatou.
O ataque ocorreu no dia 22 de novembro em Pacajus, na Região Metropolitana de Fortaleza. André Gomes Soares, de 33 anos, que não aceitava o fim do relacionamento, agrediu Brenna com marteladas na frente das três filhas pequenas do casal e de uma enteada de 10 anos. Após fugir, ele foi preso três dias depois e autuado por tentativa de feminicídio.
Brenna relembra que o crime começou após ela negar-se a dormir na casa do ex-companheiro, onde as filhas moravam. Ele trancou o portão, armou-se com o martelo e partiu para a agressão. "Eu estava com a minha filha pequena no braço... Quando ele pegou o martelo, que ia acertando minha filha pequena, botei minha cabeça no meio", contou.
Ao tentar se refugiar no banheiro, foi empurrada, caiu sobre a privada e bateu a cabeça na parede. "Foi quando eu falei: 'Deus, por favor não me apaga, porque minha filha precisa de mim'".
Vítima de tentativa de feminicídio agredida com marteladas deixa hospital
TV Verdes Mares/Reprodução
Ela desmaiou durante as marteladas e soube depois que, enquanto estava desacordada, foi arrastada pelos cabelos e teve a cabeça batida na privada, o que quebrou seu nariz. As crianças presenciavam a cena em desespero. "A filhinha dele [enteada] pediu: 'pai, não mata a tia'. Ele pegou e deu um empurrão na bichinha".
Agora em recuperação, Brenna passou por uma cirurgia no maxilar e ainda precisa de outra no nariz. Seus maiores anseios são por justiça e por reconstruir a própria imagem. "Eu não desejo nenhum mal dele, mas eu quero justiça. Eu quero justiça de Deus e eu quero justiça da Terra para ele", afirma.
Além das sequelas físicas, como a falta de equilíbrio e tremores, ela carrega traumas profundos. "A minha alma está muito machucada", confessa, mencionando delírios e medos que permanecem. "Até para me ser relacionada, eu vou ter medo".
Enquanto se recupera, as três filhas estão sendo cuidadas por familiares. Ela agradece pelo apoio recebido. "Tem muita gente me ajudando, que eu tenho de coração mesmo que agradecer". Mas o caminho é longo: além das plásticas, precisa recuperar os dentes. "Não é nem por conta das cicatrizes, mas sim dos meus dientes", explicou em outro momento.
Brenna deixa um alerta para outras mulheres que vivem relacionamentos abusivos, como o que ela suportou por cinco anos. "O conselho que eu dou para as mulheres... é que elas dê um basta, porque senão vai chegar onde chegou".
Ela relembra que a violência começava com ofensas e humilhações. "Ele me rebaixava, me chamava de gorda, me chamava de feia... Isso já mexe no seu psicológico, como mulher". Sua história é um testemunho de sobrevivência e um grito por justiça, enquanto ela aprende, dia após dia, a voltar a suportar o próprio reflexo.
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