Três PMs são condenados por integrar rede criminosa responsável por extorsões no CE
26/03/2026
(Foto: Reprodução) 15 policiais militares são condenados por integrar rede criminosa acusada de tráficos de drogas, extorsões e outros crimes no Ceará.
PMCE/ Divulgação
Três policiais militares foram condenados a 114 anos de prisão nesta quinta-feira (26) pela Vara de Justiça Militar de Fortaleza por integrar uma organização criminosa voltada para prática de extorsões contra traficantes, no Ceará. Outros cinco policiais que também haviam sido denunciados foram absolvidos.
Os três condenados são os policiais Paulo Rogério Bezerra do Nascimento, Ronaldo Gomes Silva e Auricélio da Silva Araripe. Paulo Rogério, apontado como líder do esquema, foi condenado a 70 anos de prisão. Ronaldo Gomes foi condenado a 25 anos e seis meses de prisão, enquanto Auricélio foi condenado a 18 anos e seis meses. Os três também foram condenados à perda do cargo de policial.
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A denúncia menciona pelo menos 11 ocasiões em que os militares teriam se organizado para extorquir dinheiro de traficantes, agiotas ou pessoas que respondiam a processos diversos. Como modus operandi, os policiais localizavam as vítimas e ameaçavam prendê-las, a não ser que eles pagassem as quantias exigidas.
O processo é mais um desdobramento da Operação Gênesis, deflagrada pela primeira vez em 2020 pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) para apurar a atuação destes grupos formados por policiais e, em alguns casos, em parceria com traficantes.
15 PMs condenados por associação com traficantes
A denúncia afirma que os réus integravam uma organização criminosa que praticou diversos crimes ao longo dos anos, como extorsão, tráfico de drogas, comércio ilegal de arma de fogo, corrupção, associação ao tráfico, entre outras.
Apesar disso, este processo em específico, julgado na Vara Militar, se ateve aos crimes de extorsão e organização criminosa dentro do Código Penal Militar. Inicialmente foram denunciados nove policiais militares. Um dos agentes morreu antes de ser julgado, 5 foram absolvidos e 3 condenados. Contra os policiais há outros processos em andamento sobre outros crimes.
Na sentença, a que julga crimes cometidos por policiais no exercício da profissão, considerou que os denunciados, "além do exercício de extorsões a narcotraficantes da cidade de Fortaleza e da Região Metropolitana, cometiam outros delitos graves como negociações ilícitas de armas de fogo e munições, além da formação de associações criminosas, tornando-se tais práticas como um verdadeiro meio de vida".
Condenações anteriores
Em dezembro de 2024, quinze PMs foram condenados por integrar rede criminosa acusada de tráfico de drogas, extorsões e outros crimes no Ceará. Eles integravam grupos diferentes com modus operandi parecido.
Um dos grupos funcionava com a chefia do policial militar Jeovane Moreira Araújo, que se aproveitava da estrutura da Polícia e cometia crimes durante os turnos de trabalho. Em agosto de 2024, ele já havia sido condenado a 124 anos de prisão e multa.
Já o outro grupo, com funcionamento similar, era chefiado justamente pelo policial Paulo Rogério Bezerra do Nascimento. Em 2024, ele já havia sido sentenciado a mais de 60 anos de prisão. Agora, foi condenado a mais 70 anos.
O PM Auricélio da Silva Araripe, que foi condenado neste ano a 18 anos e seis meses de prisão, já havia sido condenado, no processo de 2024, a 20 anos e 6 meses de prisão. O policial Antônio Danúzio Silva é um dos cinco policiais absolvidos nesta acusação de extorsão, julgada em 2026 pela Vara Militar, mas ele foi condenado a 7 anos de prisão no processo julgado em 2024.
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