Trump declara espaço aéreo da Venezuela 'totalmente fechado' e aumenta pressão militar no Caribe
29/11/2025
(Foto: Reprodução) Trump declara espaço aéreo da Venezuela 'totalmente fechado' e aumenta pressão militar no Caribe
Reprodução/Jornal Nacional
O presidente americano, Donald Trump, elevou o tom neste sábado (29) com a Venezuela, e avisou que as companhias devem considerar fechado o espaço aéreo do país.
Donald Trump publicou o aviso numa rede social logo no início do dia.
“A todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas, por favor, considerem o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela como totalmente fechado”, escreveu.
Na prática, o presidente dos Estados Unidos não tem autoridade legal para fechar o espaço aéreo de outro país. Mas o temor de uma escalada da situação fez a quantidade de voos cair drasticamente.
Neste sábado (29), ao longo do dia, imagens do sistema que rastreia voos, “Flight Radar”, mostravam pouquíssimos aviões sobrevoando a Venezuela.
Desde a sexta-feira da semana passada, companhias aéreas do mundo todo já tinham começado a suspender as viagens para o país. Foi quando a Agência de Aviação Civil americana emitiu um alerta de risco potencial pelo que chamou de “agravamento da situação de segurança e aumento da atividade militar nos arredores”.
Na quinta-feira, em retaliação, o presidente Nicolás Maduro revogou as licenças de operação de seis companhias aéreas, entre elas a Gol e a Latam Colômbia.
Neste sábado, em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela condenou o que chamou de ameaça colonialista que pretende afetar a soberania de seu espaço aéreo. E afirmou que esta é uma nova agressão extravagante, ilegal e injustificada.
Em Caracas, Carmen Castillo disse que se preocupa com as pessoas que viajariam no fim do ano para passar o Natal com a família.
Manuel lembrou também de quem precisa viajar a negócios: “Acabamos pagando o preço pelas consequências das coisas que estão acontecendo”, disse.
Os Estados Unidos começaram a enviar navios militares para o Caribe há pouco mais de três meses. Cerca de 15 mil militares estão na região, em uma base em Porto Rico e em ao menos nove navios de guerra. Entre eles, o maior e mais poderoso porta-aviões do mundo e um submarino nuclear.
Desde o início de setembro, os militares americanos bombardearam mais de 20 barcos no Caribe e no Oceano Pacífico. 83 pessoas foram mortas nos ataques.
O governo americano alega, sem mostrar provas, que eram narcoterroristas transportando drogas para os Estados Unidos. E acusa Nicolás Maduro de chefiar um cartel – designado esta semana como grupo terrorista estrangeiro.
O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Heghseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, visitaram os militares no Caribe nos últimos dias.
E imagens de sexta-feira, da base militar americana em Porto Rico, mostram que o movimento de aviões e helicópteros se intensificou na região, segundo a agência de notícias Reuters.
Na quinta-feira, sem dar detalhes, Trump disse que os Estados Unidos vão começar a deter narcotraficantes da Venezuela em operações por terra. Não foi a primeira vez que o presidente faz essa ameaça.
Apesar das ameaças militares, Donald Trump também busca uma via diplomática – como costuma fazer com adversários. Segundo uma reportagem do jornal americano New York Times, o presidente americano conversou com o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, há uma semana e os dois discutiram a possibilidade de um encontro. A Casa Branca não deu mais detalhes.