Trump e Xi Jinping se reúnem, mas não assumem compromisso claro para regular, juntos, a inteligência artificial

  • 25/09/2026
(Foto: Reprodução)
O Jornal Nacional abriu a edição desta sexta-feira (25) com um registro histórico: os líderes que comandam o destino da inteligência artificial no planeta se reuniram em um jantar na Casa Branca, em Washington. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump; o presidente da China, Xi Jinping; e os donos das maiores empresas de tecnologia do mundo: Elon Musk, Sam Altman, Tim Cook, Jeff Bezos e Jensen Huang. À frente das câmeras, China e Estados Unidos vendem diálogo e parceria. Mas, nos bastidores, travam uma disputa decisiva para o futuro da economia global. É o que mostram os correspondentes da Globo Felipe Santana e Nilson Klava. A fortuna sentada à mesa somava mais de US$ 2 trilhões. Os homens mais ricos do mundo foram convidados para jantar com o presidente chinês. Entre eles: Elon Musk, dono da Tesla e da SpaceXAI, que planeja fazer robôs inteligentes; Jensen Huang, da Nvidia, que faz os chips de inteligência artificial; Sam Altman, da OpenAI, dona do ChatGPT e Tim Cook, da Apple. Muitos deles também foram com Donald Trump à China. Os empresários viraram parte da diplomacia. Fazem parte de uma disputa entre os dois países com muito dinheiro envolvido: o domínio da inteligência artificial geral - que seria melhor que os humanos em tudo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Trump e Xi Jinping não assumem compromisso claro para regular, juntos, a inteligência artificial Jornal Nacional/ Reprodução No auge da Guerra Fria, a disputa era pela conquista espacial. A União Soviética parecia ter a liderança. O primeiro satélite, o primeiro homem no espaço. Até que, quando o americano Neil Armstrong pisou na Lua em 20 de julho de 1969, o mundo sabia que os Estados Unidos tinham virado o jogo. Hoje, a China quer dar o primeiro passo que, apesar de um começo desajeitado, já corre mais rápido que Usain Bolt e pula mais alto que um atleta de ginástica. Quem vai conseguir fazer com que um robô se vire sozinho, sem a nossa ajuda? A inteligência artificial virou o novo campo de batalha na disputa entre China e Estados Unidos. Os americanos tentam manter a dianteira para dificultar o acesso chinês. Os chineses correm atrás para desenvolver sua própria tecnologia. E, no meio dessa corrida, as duas potências disputam quem vai escrever as regras que devem controlar a IA no futuro. Para o professor de ciência da computação da Universidade de Columbia Elias Bareinboim já não há mais dúvidas de que essa é a corrida dos nossos tempos: “A batalha que está acontecendo agora pela automação do intelecto humano, da racionalidade, da inteligência, a batalha para os próximos dez, 20, 100 anos de quem vai ser a superpotência no mundo”. Na China, quem banca a aposta é o Estado. Fundos do governo já colocaram mais de US$ 184 bilhões em empresas de IA. Os modelos abertos estimulam a concorrência e o surgimento de várias empresas nessa corrida. Nos Estados Unidos, os modelos são majoritariamente fechados - isso é, o código, a programação por trás da IA não são de acesso público. Cada empresa cria, guarda e vende o seu. E a disputa fica concentrada em poucas gigantes da tecnologia. O investimento privado em inteligência artificial é imenso, chegou a US$ 285 bilhões. Modelos diferentes que disputam a liderança dessa corrida. “A concorrência que teve, por exemplo, na Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética para chegar à Lua é muito diferente, porque as cadeias produtivas da IA, elas se entrelaçam de alguma maneira. Ao mesmo tempo que eles concorrem, eles dependem um do outro na cadeia toda”, afirma o economista e cientista político Maurício Moura. O investimento privado em inteligência artificial é imenso, chegou a US$ 285 bilhões Jornal Nacional/ Reprodução A China domina o início dessa cadeia. Tem a maior reserva do mundo de minerais críticos, fundamentais para fabricação dos semicondutores, que são a base dos chips. Aqueles capazes de processar enormes volumes de dados, usados para treinar a IA. Já os Estados Unidos dominam a tecnologia de ponta para desenhar e desenvolver os chips e os softwares que fazem eles funcionarem. Mesmo com as cadeias de produção entrelaçadas, com Donald Trump começou uma batalha para separar o que é de quem. Os americanos tentam conter os avanços chineses restringindo exportações dos chips avançados, especialmente os da empresa Nvidia. A China respondeu restringindo a exportação dos minerais necessários para produzir robôs ou carros elétricos e transformando seu parque industrial para produzir tudo sozinha. Em 2026, na sua feira de inteligência artificial, apresentou 108 novos chips para desafiar o domínio americano. “Talvez na foto do momento, os Estados Unidos estejam um pouco à frente, mas não está nada claro que isso será verdade no futuro próximo”, diz Elias Bareinboim. E a foto do momento tem assustado os próprios desenvolvedores da inteligência artificial. É que, nos últimos meses, alguns modelos de IA tomaram decisões de forma autônoma, sem comandos humanos. Líderes das maiores empresas americanas defenderam, então, frear essa corrida. “E a razão é simples: a capacidade desses modelos de IA está crescendo mais rapidamente do que a nossa capacidade de verificar o que esses modelos estão fazendo”, afirma Elias Bareinboim. É nesse contexto que os líderes das maiores empresas americanas do setor se sentaram à mesma mesa que os outros protagonistas dessa corrida - aqueles que tem o poder de desacelerar. Uma ausência explica melhor o jantar do que quem estava ali. Dario Amodei, CEO da Anthropic, que faz a inteligência artificial Claude. Ele tem sido a principal voz a favor de desacelerar o desenvolvimento da inteligência artificial antes que seja tarde demais. No jantar, Xi Jinping até disse que as duas potências precisam agir com responsabilidade enquanto acompanham as tendências do nosso tempo. Mas, para o editor de IA da Bloomberg, Michael Shepard, desacelerar não é uma opção para os Estados Unidos ou para a China: “É um jogo de não querer frear e ver seu adversário ficar na frente. Então, eles não têm uma opção, ao ver dos próprios governos, de parar neste momento”. E tem a economia. “A cadeia produtiva da IA, hoje, basicamente está sustentando muito da movimentação da economia americana, principalmente do mercado de capitais”, diz o Maurício Moura. Nos últimos meses, alguns modelos de IA tomaram decisões de forma autônoma, sem comandos humanos Jornal Nacional/ Reprodução A tecnologia virou a principal arma de desenvolvimento dos dois países. Enquanto isso, cada um escreve as próprias regras. A China propõe uma organização global de governança. Tem chancela da ONU. Mas foi exatamente na ONU, esta semana, que Trump rejeitou o que chamou de projeto globalista para controlar a IA. “De alguma maneira, tem alguma analogia, alguma similaridade com o que teve com coisas de arranjos nucleares, que, de alguma maneira, você precisa de algum tipo de coordenação”, afirma Elias Bareinboim. Coordenação difícil de ser alcançada entre dois rivais. Nesta sexta-feira (25), no último dia da visita, enquanto recebia o presidente chinês para um chá na Casa Branca, Trump disse que houve grandes avanços. O presidente chinês respondeu que eles concordaram em dar um novo fôlego à relação entre Estados Unidos e China e que ela será pautada pelo respeito, tratamento justo e reciprocidade. Um encontro cheio de gestos e recados que, até o momento, não se traduziram em compromissos concretos. Uma trégua simbólica, enquanto a corrida continua. Há uma disputa econômica - com a supremacia global em jogo. Quando a inteligência artificial geral funcionar, pode mudar o mundo em um estalar de dedos. Por enquanto, os dois lados preferem correr e deixar para depois a pergunta que ninguém respondeu na mesa - nem nos Estados Undoso, nem na China: quem vai controlar a inteligência artificial? GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Os 10 dias que abalaram a corrida da IA: por que líderes do setor agora pedem para 'pisar no freio' Austrália investiga invasão do sistema de saúde pela IA Conselho de Segurança da ONU discute o futuro da inteligência artificial: 'Risco para a humanidade'

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/09/25/trump-e-xi-jinping-nao-assumem-compromisso-claro-para-regular-juntos-a-inteligencia-artificial.ghtml


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